terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O COMBUSTÍVEL DO HOMEM


Em época de encerramento de ano, talvez não haja tema tão bem aplicável à data quanto aquilo que move o homem... Diz-se que "a esperança é a última que morre". De fato, ela serve como elemento de motivação na vida do indivíduo, fazendo com que este, mesmo diante de obstáculos, mantenha-se forte. Entretanto, esse não é o quadro mais comum dentre as pessoas como um todo.
Diante de uma reprovação em algo que eu desejava muito, a decepção me cegou de inúmeras perspectivas que a vida oferecia e ainda oferece. Foi como se eu estivesse eliminando possibilidades por entender que só um caminho era válido para atingir minha então grande meta. Foi através de, dentre outros discursos, o de Içami Tiba, grande educador, que consegui me recompor e enxergar a imensidão da vida. Em uma citação dele, feita por minha tia, Rita, também grande educadora, que a motivação voltou a existir em mim: muitas vezes, insistimos em apenas uma porta quando outras estão se abrindo para nós.
Trata-se de um suporte que muitos não têm a oportunidade de ter e, por um somatório de fatores, acabam caindo na depressão.
Esta é catastroficamente prevista como a doença do século. Segundo a psicanalista Maria Rita Kehl, o depressivo não tem a perspectiva de um depois, da concretização futura de algo que deseja. A esperança é um elemento que falta em sua vida de modo que ele só vive – se é que esse termo pode ser aplicado – o presente, sem IMAGINAR um depois.
É nessas situações que se entende a importância da interação entre estes três fatores: a imaginação, a esperança e a consequência dos dois, a motivação.
Viver sem imaginar é viver por viver, segundo as palavras de alguns ditos ex-depressivos. A criança constrói seu mundo fascinante através da imaginação. O que seria da humanidade se alguém não tivesse imaginado o homem rompendo a fronteira da Terra com o espaço? Ou se alguém não estivesse motivado a entender os elementos da terra, quando, mais tarde, a tecnologia do raio X se tornou tão útil para assegurar a saúde humana?
Por experiência própria pude ver que qualquer discurso lógico e que toda a razão acumulada ao longo de uma vida não têm validade nenhuma se um elemento não estiver estruturado: a esperança, a base de toda a cognição e ação humana.
Para abdicar da obstrução causada por uma decepção da qual minha percepção foi vítima foi necessário desprender-me de preconceitos e talvez seja isso o que falta nessa humanidade que caminha para a deprimência.
Hoje, lembro de algumas piadas de colegas meus e discordo de suas palavras. Dizem eles: “a esperança é a primeira que morre”. Reluto em acreditar que estejam certos. Se, de fato, isso fosse verdade, duvido muito que alguém ainda atingisse uma conquista, que alguém ainda tentasse alguma coisa na face da Terra. Recordo-me que ao ler “Rumo ao infinito”, de Salvador Nogueira, a parte que julguei mais interessante foi (em referência à exploração espacial): “ o que Krugman sugere já está sendo feito, mas do único jeito possível – arriscando e aprendendo com os erros”. Para a tecnologia espacial dar certo, o único jeito é tentar. Foi essa a ideia defendida no trecho... O que parecebe óbvio demais, mas é genial! Daí, a improcedência, no meu ponto de vista, do discurso de meus colegas: se há gente tentando é porque a esperança, de fato, ainda não morreu, pois para tentar é imprecindível que ela exista.

A VOCÊ, UM NOVO ANO OU UM NOVO PERÍODO DE ESPERANÇA, POIS ELA PODE SER O SENTIDO DA VIDA!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

VESTIBULAR: INADIMPLÊNCIA NA DEMOCRACIA


Crucificação. Émile Nolde. 1912.

Final de ano é época de acontecimento dos principais concursos públicos através dos quais muitos estudantes são submetidos para ingressar nas universidades brasileiras, o sistema vestibular. Instituído a partir da ditadura militar, ele é dotado de uma série de vantagens e benefícios que podem determinar o rumo da vida de um estudante e ajudar a construir um grande cidadão. No entanto, é bem possível que seus aspectos negativos, por mais que em menor número, superem todos os positivos.
Ansiedade talvez seja a palavra que defina essa fase da vida de muitos estudantes. Afinal, os resultados,  na maior parte dos casos, demoram muito para ser divulgados, chegando a levar até 3 meses depois das provas para sua divulgação. É o caso, por exemplo, das públicas de São Paulo, da UEL e do ENEM.
Lidar bem com essa sensação no mundo globalizado contemporâneo é de vital importância para manter um nível estável de equilíbrio psicológico e social, dadas as pressões da família, da escola, do trabalho, da universidade, do parceiro amoroso, etc. Assim, o vestibulando já está sendo acostumado a trabalhar com ela desde cedo.
Além do mais, disciplinas como a matemática dão lições que são úteis para toda a vida, como a de que para atingir o êxito, não há outro caminho senão o esforço. É nesta concepção que embarca o vestibular, refletindo algumas concepções capitalistas como, por exemplo, a meritocracia. Isto é, há um número determinado de vagas e conquistarão as vagas os estudantes que merecerem-nas. É um reflexo da vida, pois a vida compõe o sistema capitalista. A princípio o discurso parece muito são. O problema é que o ensino gratuito foi uma conquista da Revolução Francesa e esta lançou a ideia de que este deveria ser um direito de todos, o que não condiz com a realidade atual brasileira, em que "só os sete melhores poderão cursar Medicina na universidade tal". Como dizer que outros candidatos muito bons, que desenvolveram uma série de habilidades, não têm direito de cursar seu sonho naquela instituição?
É um verdadeiro absurdo o ponto a que chegam os estudantes. Eles vão ao ponto de desejar que os concorrentes vão mal, ou faltem, para que conquistem suas respectivas vagas. Então, poder-se-ia dizer: ué? Na vida será assim, alguns conquistarão seus objetivos e outros não. No entanto, como pode alguém desejar que o outro não exerça sua cidadania através de um direito que é o de estudar? Desse modo, o sistema vestibular está incrustrando nas "futuras" gerações o valor do egoísmo, associado ao individualismo do sistema capitalista. É a banalização de uma injustiça.
Injustiça porque, anteriormente à instituição desse modo de seleção proposto pelo governo Costa e Silva, era estabelecida uma nota à qual, em determinado curso, os estudantes deveriam chegar ou superar. Se 200 estudantes o fizessem e só houvesse 50 vagas, outras 150 vagas teriam que ser criadas. Como tal, a busca pela excelência acontecia do mesmo modo, em detrimento do que ocorre na atualidade, em que, talvez no lugar de buscar a excelência, na verdade, busque-se ser o melhor.
O vestibular, com a lembrança de que no mundo existe uma enorme concorrência, acaba não transmitindo ao ensino brasileiro sua essência em todos os cursos. Uma série de habilidades têm que ser desenvolvidas para conquistar uma vaga em Direito, o que não é tão necessário para fazê-lo em relação ao curso de Pedagogia. Dessa forma, está-se acostumando os estudantes a ver com preconceito determinadas áreas do conhecimento, dado que todas elas são igualmente importantes. E então, vem a reflexão: como se pode falar em desenvolvimento num país em que desde o início da carreira acadêmica, os futuros professores são vistos com preconceito e tem seu potencial subexplorado? A tarefa da educação fica em segundo plano de concorrência, de habilidades e de perspectivas. Assim, igualdade social ou redução da desigualdade social parece ser prolongadamente um tema utópico.
Sobre o grau de exclusão que ele abarca, não há dúvidas de que é mesmo a elite ou uma parte muito pequena dos estudantes que recebe um verdadeiro incentivo no mundo do estudo... Estudantes de escolas públicas dificilmente serão aprovados... Muitos serão desclassificados, já que o foco da educação naquele lugar é outro, entende o próprio vestibular como algo que não faz parte de sua realidade. É uma mistura de concepções sociais e pessoais de educação. Foi em meio a à "descoberta" dessa situação, de que o aluno da escola pública nem cogitava estudar um dia na USP, que esta universidade decidiu implantar o INCLUSP, um programa que visa à inclusão social dando um bônus de nota aos alunos que vêm do ensino gratuito. Dessa forma, estar-se-á aproximando aquele da concepção de uma universidade de peso, como a Universidade de São Paulo. Talvez assim, uma mudança aconteça a passos lentos, mas muito lentos, partindo do trabalho de  alguns professores que, na verdade, já faziam, de certa forma, esse trabalho. É então que se vê nas cotas e nos bônus a tentativa de compensar essa discrepância social. Vê-se na política uma certa indisposição em disponibilizar verbas para o aumento de vagas. Na Estadual de Ponta Grossa, em Jornalismo de concorrência universal (o termo é engraçado pois dá a impressão de que os cotistas não fazem parte do universo), há apenas 9 vagas. Em Medicina, há 7.
Extinguir o sistema vestibular é visto por muitos como algo radical. Mas, na Argentina ele não existe. Basta ter RG e ter concluído o ensino médio para iniciar o superior. Não é por isso que sua qualidade seja inferior, dado que a Universidad de Buenos Aires é uma das melhores da América Latina. Pode-se dizer que haveria um desperdício muito grande frente ao provável grande número de desistências que ocorreriam ao longo do curso, já que um número grande de vagas teria sido criado, quando mais tarde elas foram desocupadas. Porém, seria correto chamar assim, de "desperdício", oferecer um direito de forma mais ampla? Seria o preço a se pagar pela democracia.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CORRESPONSÁVEIS PELO DISTÚRBIO (Sharing the guilt)

Mais de setenta milhões de pessoas no mundo sofrem de transtornos alimentares, sendo, na maior parte dos casos, a anorexia e a bulimia as enfermidades que acometem esses indivíduos. No caso da anorexia, trata-se de um distúrbio principalmente psicológico através do qual a pessoa não consegue enxergar no espelho o seu real corpo. O que ela vê é uma silhueta maior do que a que tem.
A atriz e cantora mexicana Anahí foi acometida pelo mal há alguns anos até quase perder a vida, o que a coercitivamente fez mudar de rumo. Em entrevista ao National Geographic, expressa um medo por uma realidade assustadora: a disponibilidade de "informações" que têm esses "enfermos" pela Internet. O termo destacado reflete as "dicas" disponíveis na rede em blogs que podem ser facilmente encontrados no Google, por exemplo.
Num dos primeiros links da busca por "ana" e "mia", http://anamia2007.blogspot.com/2007/09/manual-das-50-dicas-bsicas-da-mia.html, vê-se uma lista inacreditável de "conselhos" para emagrecer, os quais refletem fielmente o espírito da doença; uma obsessão por um corpo mais magro. As dicas vão de estragar a comida com bastante sal, por exemplo, e sentar com uma postura ereta, o que, segundo o blog, consome mais calorias, até andar com as nádegas contraídas, o que, ainda segundo o site, também consome muitas calorias. No blog, pode-se ler:  "(...) obesidade é horrível e gordos são inúteis lembre-se disso (...) aprende a gostar da sensação de vazio no estômago (...) observa as outras pessoas, especialmente gordos (as), quando estiverem a comer, e sinta-se superior por não estar comendo nada e ter seu corpo limpo (...)". O que se pode ver é um verdadeiro discurso de hipnose e lavagem cerebral na mente do anoréxico, que já se encontra, segundo Anahí, num "labirinto". O mais surpreendente ainda é o grau de alienação em que se encontram as pessoas que agradecem pela postagem e que se sentem ainda mais motivadas a seguir na anorexia.
É chocante ver os corpos como eles, de fato, se apresentam nessas "vítimas". Destaca-se o último termo porque, de fato, são pessoas atingidas por um terrível mal, mas elas também não podem ser entendidas como meros fantoches da sociedade, ainda que esta exerça tamanha influência no comportamento dos indivíduos. É preciso reconhecer que é a vontade o principal fator de condução das ações do homem. Se alguém quiser que ele mude, é preciso que ele aceite a mudança, senão, nada feito. Portanto, é preciso reconhecer que ele tem responsabilidade nessas escolhas.
Entretanto, as escolhas realmente não são feitas apenas por ele e todos são culpados também pela ocorrência desses transtornos alimentares, reforçando o peso que a busca pelo ideal de beleza tem na sociedade. Quando uma pessoa compra uma revista que visa à boa forma, não saindo desse âmbito ao decorrer das páginas, está alimentando a busca social pelo corpo perfeito. Como toda dose possui seus efeitos colaterais, o culto excessivo da sociedade à beleza produz como consequências esses casos, que refletem o vício social, que, como todo vício, não é saudável e precisa ser eliminado.
Para que a pessoa chegue a fazer as escolhas mencionadas, é porque seu grau de maturidade está abalado. Além de cada membro da sociedade se conscientizar de suas escolhas, é preciso que os problemas familiares estruturais que fragilizam o enfermo sejam drasticamente reduzidos. Isso se dá com uma criação baseada numa educação sólida, sempre aliada à observação atenta do que se diz a um filho e de que atitudes se toma. Na maior parte das vezes, estas desencadeiam desejos de se prender, de não ser afetado e de não afetar.

More than seventy million people in the world suffer from feed disorder. Most part of the cases are from people who are affected by anorexy or bulimia. Anorexy is a mainly psychological trouble that creates a situation in what a person can not see his/her real body. It is common to see it fatter than it really is. 
The singer and actress Anahí suffered of this sickness some years ago until the moment she almost lost her life. In 8 seconds, her heart stopped and when it returned to function, a new Anahí was born. During an interview for National Geographic Channel, she mentioned the great accessibility to information as something that worries her. Searching by Google the words ana" and "lily", it is possible to find a vast number of pages giving "tips" to get "thiner", stimulating those ones who are anorexic or want to get in. In portuguese, http://anamia2007.blogspot.com/2007/09/manual-das-50-dicas-bsicas-da-mia.html, this blog exemplifies it, creating an atmosphere of prejudice in relation to fat people, stimulating narcissism and making a kind of hypnosis in the person mind, someone who, as Anahí says, is lost in a maze. It is surprising that people who access this website can thank for the posts, saying they feel more motivated to go on with this.
It is shocking to see how the bodies of these "victims" are. Victims is between inverted commas in order to emphasize that they cannot be seen only as strictly vulnerable people or something society manipulates. In fact, it makes a strong influence, but it its necessary to focus on the main factor of leading the human actions: the willness. If someone wants that the person change, he/she should accept the change. So, it is crucial to recognize responsability people have on their chooses.
Nevertheless, chooses are not made only by them. Everybody is, in a different way, guilty of the occurence of these disorders, reinforcing the value of the beauty pursuit. When a person buys a magazine that is aimed at "being fit", not leaving this domain, he/she is stimulating this social pursuit of the "perfect" body. As every excessive dose has a collateral effect, the excessive beauty cult produces consequences as these cases, something that reflects a society addiction. Every addiction is not healthy and, then, needs to be eliminated. A person that makes the kinds of choose mentioned is likely in a bad stage of immaturity. Besides the necessity of each member of the society get conscious of his/her chooses it is important to reduce family structural problems. They weaken the sick. It is possible to achieve through a consistent education, allied to a strong observation of what is said to a son, to a daughter, what is transmitted to him/her/them. In most part of the cases, the actitudes taken initiate wilnesses of getting a prisoner, not afecting and not to be affected.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

CAPITÃES "DE" AREIA DO CINEMA (Capitães of sand from the cinema)

A nova versão cinematográfica de "Capitães da Areia", atualmente em cartaz Brasil adentro,  representa o papel das artes visuais que qualquer outra forma de representação artística desempenha na sociedade; o de provocar sensações, além, é claro, no caso específico dessa obra, o de aproximar a sociedade dos clássicos literários. Muitas vezes, a linguagem literária, por ser mais complexa, acaba impedindo a visualização de seu conteúdo por parte do indivíduo e sua provocação nele, servindo o filme como uma luva para o objetivo da arte, o de provocação.
Entretanto, alguns problemas apresentados pelo filme refletem uma certa deficiência no cinema brasileiro, o que não se justifica apenas com menos verba para produção, dado que filmes como "Tropa de Elite", "Cidade de Deus" e "Central do Brasil" apresentam altíssima qualidade e também se enquadram em um orçamento pequeno, quando comparado às produções norte-americanas. Um exemplo da deficiência mostrada é a questão da caracterização dos personagens. Em muitas situações, eles aparecem com unhas limpas, o que é contraditório com a realidade da rua e da cidade de Salvador dos anos 30. A direção de prosódia também se mostrou bastante problemática, visto que muitos atores deixaram transparecer seu sotaque carioca e poucos pareciam falar como soteropolitanos.
A questão da fala se mostrou complicada também quando, em várias cenas, notava-se uma pronúncia num nível de correção que não corresponde à vida suburbana ou periférica.
A direção do filme pecou ao deixar ir ao ar cenas em que se vê falas muito "marcadas". Isto é, ficou evidente, por exemplo, numa cena de conversa entre os meninos, que se tratava de uma ficção, que eles eram atores e estavam representando uma conversa, pois as falas se mostravam pausadamente artificiais.
Alguns detalhes chamam a atenção, como a mudança no filme de características físicas de algumas personagens; Dora, na obra de Jorge Amado, é apresentada como loira e no filme aparece morena. O mesmo caso é o de Gato, que no livro é loiro, de olhos claros, e no cinema é mostrado negro. Por sinal, o ator que o interpreta o traz de uma maneira até inocente e, portanto, de forma incoerente com o "malandro conquistador" que é apresentado no livro. A incoerência também se mostra quanto à atuação de Jean Luis Amorim, o intérprete de Pedro Bala, que não consegue transparecer a liderança e a consistência da personalidade da personagem, a qual demonstrar um certo ar de "manhoso" - é a impressão que tive.
A versão cinematográfica do clássico de Jorge Amado, talvez pela limitação do tempo, não consegue apresentar a grandeza de algumas cenas da obra; como a do carrossel - fundamental para a compreensão do que há por trás dos capitães - e de cenas como as em que Dora aparece. No livro, ela é mostrada como uma verdadeira mãe para os capitães, de forma grandiosa, com um carinho que repercute em todos, o que não ocorre no filme, no qual a ênfase maior é no "triângulo amoroso" entre ela, professor e Pedro Bala. O pânico da "bexiga" também se viu limitado no filme, o que mostra a importância dos detalhes na literatura para dar a dimensão da cena para o leitor.
A trilha sonora é um ponto a favor da produção, moderna e provocativa, a qual me deixou sensibilizado no início do filme ao recordar o futuro de Dora, a morte. As versões mixadas e contemporâneas de músicas bahianas envolvem e agradam o telespectador.
O logotipo que aparece no fim do filme também atesta para um detalhe que faz toda a diferença: aparece sublinhado o termo "da", reforçando que são capitães "da areia" e não "de areia", que são coisas bastante diferentes.
Um detalhe importante a ser observado é a contraditoriedade que constitui os seres humanos. No filme e no livro, determinadas cenas emocionam o leitor (o espectador também é um leitor), como, por exemplo, a cena em que Pedro Bala retorna da delegacia com um elemento que havia sido apreendido do terreiro. Isto é, o leitor se emociona com a ficção, mas, perante a realidade, a dos meninos moradores de rua, geralmente apresenta indiferença. Pela reflexão causada, valeu à pena a produção do filme e o que espero é que seja um sucesso de bilheteria, de modo a estimular a produção cinematográfica de outros clássicos da literatura brasileira e mundial.

The new cinematographic version of Capitães da Areia reflects the art role in the society, to cause a sensation and, in this case, to approach the spectator to literature classics. In general, the literature langue is more complex, blocking a consistent understanding of the content and in consequence of this not causing him/her a provocation.
Nevertheless, some problems shown in the movie sign weaknesses the Brazilian cinema has, something that is not exactly justified just by an economic question... As we can see, there are some movies from Brazil that were excellent productions such as Tropa de Elite, Central do Brasil and Cidade de Deus, someones which had little budgets in comparison to North American productions. An example of a problem the film had is the costume and appearance in general about the characters... The Capitães had clean nails, something that is inconsistent to the place, the time (thirties) and to the style of life they have (living on the street). The prosody direction was really problematic; during so many times, it is possible to realize Rio de Janeiro accents, despite the fact that the characters and the scenary is Salvador, Bahia. In most part of the cases, the accents were from Rio de Janeiro and did not seem to be from Bahia.
Other problem related to the language we can see is that the pronunciation of the words, some times, is too correct in comparison to a real suburbain way of talking.
The direction permitted that scenes that made the spectator see an amateur way of acting went on air. In a boys talking, it was possible to observe it was a fiction and that the boys were acting, something unnatural, the speaking were very paused.
The movie, an adaptation from the book, shows some interesting details; Dora, in Jorge Amado book, is a blond girl and in the movie she is brunette. Beyond this, Gato, in the book is presented as a light-eyed blond boy. In the movie, he is dark-skinned. The actor who interpretates him does it in a naive way e, then, inconsistent to the personality the book presents, someone who is smart, wooed... This kind of insconsistency happens to the interpretation of Pedro Bala. Jean Luis Amorim does not acchieve the leadership characteristic the role requires. The impression I had about him is that the way he interpretated the character signed to a sly boy.
The cinematographic version from the Jorge Amado classic, maybe because of the time limit, does not reach the epic style from some scenes like the one the boys are on the carousel. Or the mother way Dora should have shown. In the book, the she takes care of almost everybody... But in the movie, the focus is on the love triangle compound by Dora, Pedro Bala and Professor. The panic came from the bexiga (the way of people from Bahia in that time) is not so evident in the film and it shows the importance of the details in the literature to make possible to get a sense of a scene.
The soundtrack is a positive point from this cinema production, it was instigator... Something that made me almost cry, remembering of end of Dora. The mixed and remixed version of songs from Bahia involve and give energy to the spectator.
The logo that is shown in the end of the film shows an little and very important detail: the term "da" (of the) sand instead of "de" (of) sand is underlined, emphasizing the fact they are leaders from the sand and possibly not made by it (a weak conjunct of grains)...
An important detail that we can observe is the paradoxality that compounds the humans. In both cases of the movie and the film, some scenes get the reader (the spectator is also a reader) emotioned, as, for example, the scene when Pedro Bala comes back from the police whit a religious object sized by the policemen and he is congratulated and hugged by all the members of the group of the Capitães da Areia.

sábado, 29 de outubro de 2011

OS AMPLOS SENTIDOS DA "DEMOCRACIA" (Other meanings of democracy)


Em meio à grande repercussão do novo escândalo do ENEM, o do "vazamento" de, a princípio, quatorze questões similares ou iguais às do exame, o que se observa é que um problema maior ainda parece ter passado despercebido frente aos olhos da sociedade e, principalmente, da crítica. O nível de dificuldade das questões da última edição da prova foi uma verdadeira catástrofe e alvo de poucas críticas na imprensa, o que, pela gravidade da situação, merecia igual atenção ao problema das questões vazadas.
Em entrevista à imprensa, foi muito comum ouvir da boca dos diretores um grande contentamento com o resultado até então obtido pelos alunos. Um contentamento que mostra que o exame teve um grande número de questões fáceis ou muito fáceis. A prova de Ciências Humanas requeria do aluno praticamente apenas a habilidade de leitura e compreensão de texto. De fato, o analfabetismo funcional é um problema que assola grande parte dos estudantes no Brasil, o que constrasta com os crescentes indicadores positivos da economia brasileira frente às crises, por exemplo.
Entretanto, exigir uma habilidade como essa deveria ser prática apenas das disciplinas destinadas à isso (língua estrangeira e língua portuguesa na parte de interpretação de texto). Do modo como é feito, os alunos que não sofrem desse mal, o analfabetismo funcional, terão a ideia de que Ciências Humanas são muito fáceis ou de que são muitos bons nisso, quando não necessariamente o são. O próprio exame já os está acostumando a ver com preconceito uma parte da Ciência. Como ela é feita por pessoas, não é muito difícil para essa prática se prolongar e se voltar para as pessoas que fazem essas Ciências... Ou se prolongar mesmo para qualquer tipo de pessoa.
Além disso, quando o aluno que não se esforçou para adquirir o conhecimento que deveria exigido nos exames a respeito das Humanidades e vai bem na prova, estar-se-á acostumando-o à ideia de que se pode obter o sucesso quase sem esforço algum. Implicita ou explicitamente esses valores acabam sendo internalizados, principalmente quando o preconceito em relação a essa parte da Ciência já são alimentados na mente estudantil ao longo de toda sua formação, frente a uma série de fatores.
O incentivo à preguiça por parte do exame continua quando a prova exige do aluno menos do que ele pode dar. Isso se manifesta quando as questões são de mera interpretação de texto, sem exigir maiores habilidades. O potencial do aluno acaba sendo subexplorado.
Outra grave problemática escondida pelas belas palavras veiculadas pelas propagandas do exame, financiadas pelos impostos da sociedade e protagonizadas por Carol Castro, é a injustiça embutida nas questões. Disse-se que o exame abordou atualidades, o que, em si, é uma grande mentira. O aluno que buscou estar antenado com os principais fatos e notícias da atualidade foi prejudicado. O que exemplifica essa situação foi a questão sobre a Primavera Árabe, cobrada na prova de Ciências Humanas e Suas "Tecnologias". Não era preciso saber o que ela significava e qual a influência da tecnologia em sua movimentação. Bastava ler o texto. Quem sabia acertou. Quem não sabia, também. E ainda o governo se atreve a usar o termo "democrático" no slogan do exame ("ENEM, o caminho mais democrático para o caminho superior no Brasil")?
Pode ser que aquele entende aquele termo de outra forma, mas não aquela prevista na constituição. Então, além tudo, a postura da propaganda é enganosa e, portanto, inconstitucional.
Como é que se pode falar em perspectivas desenvolvidas para o Brasil, sendo que já na educação, a sociedade já é acostumada ao subdesenvolvimento, à subexploração de seu potencial, à subestimação de sua inteligência e a um vasto conjunto de "subs"? Pelo que se pode notar, "Brasil, um país rico e sem miséria" não passa de hipocrisia, pois a geração construída nos atuais moldes educacionais dificilmente superará sua atual condição de ser.

In this context of a big repercussion of the scandal about 14 questions that were seen by a school before the national application of the exam, other element so or more serious than this seems to be forgotten or not realized by the society, in general, and by the critics. The level of difficulty from the questions was too low, something that sings it was a big catastrophe. It was not mentioned by the press. However, it deserves a big attention from everybody.
In interviews, it was common to hear schools directors saying that the students were very satisfied with their result. On the other hand, this happiness hided the so easy a big number of questions from the High School National Exam (ENEM, in Portuguese) were. Human Subjects, like History, Geography, Foreing Language, were too easy. They required from the student basically the capacity of understanding what he/she reads. In fact, functional illiteracy is a big problem a big range of students in Brazil suffers of, in the opposite side to the growing numbers Brazil economy shows.
Nevertheless, this kind of hability, applied the one it was done in the exam, would be a function of only some subjects, the ones prepared to, like Foreing Language or Portuguese (only in the part of comprehension test).
The way the exam is made, students that do not suffer from this problem would get an excellent result. But, what if they do not deserve to? What if a student that does not know basic information about History and gets almost the total posible grade? This is what exactly what happened. This way, they will get the prejudice that Human Sciences are easy. The exam is getting them used to see a kind of knowledge with prejudice... And after, to look people with it.
Besides it, when the student sees he/she does not need to make efforts to get the success (a total grade), the exam is leading him/her to laziness.
The incentive to laziness by the ENEM continues when to topic is knowledge potential. The student intelligence is underestimated and his/her learning potential underexplored so that he/she does not need to know something solid to get a good result in the exam.
Furthermore, the injustice is an ENEM value. It can be observed when students that studied, for example, world news during all the year gets Okay in a question... And someone that simply did not know what happened in the world during the same period gets Okay in the same question. A question about the Arabian Spring only required from the student to read and understand the text about it. The student did not have to know what it is. That means the question the student got right, the one who did not know anything got too. This is called injustice and the government dares to use the word "democratic" to define the ENEM in the campaign slogan (ENEM, the most democratic way to to get in the universities). The campaign is financed by taxes society pays and is starred by the actress Carol Castro.
It is possible if the government understand democracy as something different it is defined in the constitution. Then, the campaign is misleading and inconstitutional. How can the government talk about developped perspectives if it gets the society used to undevelopment educating the people to it? When the formal education underestimates the learning potential of the student, how can we wait the society overcames its condition of underveloped? Of As you can see, "Brazil, a rich and whitout poverty country is a big example of hypocrisy?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

OTIMISMO E INANIÇÃO


Na noite de ontem, temia que Meimei não viesse a acordar. Durante a madrugada, jamais esquecerei a cena em que acordo repentinamente a vejo próxima à porta do meu quarto me olhando... Seu olhar me amedrontava... Não, não pelo aspecto dela, que, em si era debilitado e comovente, mas frente ao que ele poderia significar.
Na manhã seguinte, Meimei está viva, porém continua tendo diarreias e hemorragia. Ela vomitara várias vezes durante a noite.
A medida tomada é ligar para o Centro de Zoonoses, pois o raciocínio usado é o seguinte: se a função do Centro é prevenir e tratar zoonoses, sofrendo Meimei de uma, é atribuição do Centro tratá-la, pois essa enfermidade, sendo altamente contagiosa, pode afetar o equilíbrio ambiental, contaminando outros animais, constituindo um mal à sociedade. Resultado: a atendente, através dos sintomas relatados por telefone, alega que o animal tem parvovirose. Ela diz que ele pode ser tratado em casa e que, contudo, há necessidade de orientações de um veterinário, coisa que o Centro de Zoonoses não pode fazer por aquele, já que sua atribuição quanto ao "resgate" de animais doentes é praticar a eutanásia.
Procuro as atribuições do Centro de Zoonoses via Internet. Descubro que não há uma regulamentação que uniformize os centros de zoonoses, os quais podem ser de responsabilidade municipal, estadual ou federal - nem nisso há uniformidade, o que em si já desorganiza o funcionamento conjunto das unidades.
Continuando a pesquisa, facilmente encontro em uma página disponibilizada na Internet pela prefeitura de Bauru, página esta que, por sinal, é bastante objetiva, que informa o que são zoonoses, qual o papel do Centro e, de forma bem concreta, quais não são suas atribuições. Lá está escrito que é função do centro fornecer avaliação veterinária em casos de suspeita de raiva ou leishmaniose, o que em si pode abarcar o caso de vários cães (inclusive o de Meimei). No documento, lê-se que não é papel do lugar oferecer consultas veterinárias. No caso do CZ de Foz do Iguaçu, na Internet, só pude encontrar o telefone. No site da prefeitura, são ínfimas as informações a respeito. Quero ligar para lá, pois como vou contestar as ações do Estado se não conheço suas funções? Daí a crítica que faço à postura virtual da prefeitura frente ao tema, o cidadão já começa aí a encontradr barreiras para exigir seus direitos.
Tento ligar para a prefeitura no intervalo entre 8 e 9 horas da manhã, nada consigo. A ligação só retoma o menu inicial e reforça a mensagem "aguarde". Mais barreiras encontradas pelo cidadão para concretizar sua existência como tal. Desse jeito, esperar uma resposta das autoridades requer uma disponibilidade que o cidadão comum não tem, pois a uma hora como essa estaria trabalhando. Mais tarde, a prefeitura fecha.
Minha mãe decide levar Meimei a uma PetShop, ela está tentando encontrar uma saída mais barata para a situação. O dono do local reconhece não poder agir em casos de virose e a redireciona para uma clínica veterinária de preço acessível. Finalmente, para lá vamos nós.
O diagnóstico aponta para uma provável coronavirose, que, muitas vezes, é confundida com a parvovirose, pois seus sintomas são parecidos. A médica, entretanto, afirma que a segunda é bastante letal, o que em faz que, na maioria dos casos, o cão não passe de um dia para o outro como ocorreu com Meimei.
A consulta sai por 134 reais, minha mãe se endivida um pouco, mas a vida da cadela está mais garantida, afinal, quanto vale esta? Pergunto a ela o que a fez ir ao veterinário, ela responde: "o Renato ter falado para vir até aqui". Pois é, no caso, ela não visualizou mais alternativas e "a voz da experiência", Renato, o dono da PetShop, a recomendava a saída tão esperada por mim.
O tratamento atual da cadela consiste em tomar alguns remédios... A médica injetou no cão alguns soros, o que ela chamou de "imunizador". Isto requer vacinação, o que irresponsavelmente não fora dado na cadela por nós.
Algumas conclusões importantes podem ser feitas a respeito: o otimismo do qual meus pais dispunham ("ela vai ficar bem"; "ela já está até melhor"; pasmem, meu pai disse que ela estava sorrindo; "é claro que ela não vai morrer" - mesmo que as evidências apontassem para isso) era, na verdade, uma arma para não ter que agir. Aqui se vê um exemplo concreto de quando a esperança e o otimismo podem ser usados para justificar ou para se dispor da inanição. Esperava-se que a cura viesse do céu, agindo como pessoas da Idade Média, não usando a razão para resolver problemas.
Tomara que Meimei se recupere...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

FRAGILIDADE... ANIMAL... (?)


Uma de minhas cadelas, Meimei, tem uma mudança repentina de comportamento. Geralmente hiperativa, ela passa a se comportar de forma depressiva (moleza e sono prolongados). Sem comer, sem beber, emagrece rapidamente. Ela começa a salivar... Vomitar... Passa a se acomodar em cantos, atrás de móveis... A primeira hipótese: raiva.
Como tenho duas cadelas, o temor é grande. Cristal, a outra cadela, prenha, por sinal, pode ser contaminada.
Porém, com o computador à mãos, pesquiso sobre as doenças caninas mais frequentes. Suspeito de ser Lyme, pois, na semana retrasada seu irmão, o cão Lipe, foi trazido até minha casa para brincar com ela. Sua dona conta que ele está repleto de carrapatos. Resultado: encontro carrapatos em Meimei e Cristal. Eu os havia tirado e matado, entrando arriscadamente em contato com o sangue do carrapatos. Mas, nada aconteceu. A doença Lyme é transmitida pela mordida do dito aracnídio. Foi assim que a estrela Thalia foi acometida pela enfermidade que quase a levou à morte. Ela afeta o SNC (sistema nervoso central).
Por que estaria Meimei com Lyme? A depressão que pude observar nela me levou a pensar nisso...
A hipótese de raiva é expressiva, pois pude observá-la discretamente depois de colocar água para que Meimei bebesse; ela não conseguia. Sendo Hidrofobia o nome da raiva, essa possibilidade se torna quase uma certeza, ainda mais depois de ler que o animal não necessariamente pode apresentar comportamento agressivo, já que existem basicamente dois tipos de raiva; um em que o animal se mostra de forma agressiva e outra que conduz à paralisia. Nesta segunda, uma prostração (a tal da moleza) é notável (o caso da minha adorável Meimei).
Leio sugestões num fórum e a maioria delas apontam para a necessidade de procura de um veterinário. O temor de contágio humano reforça essa necessidade. Minha mãe aponta para a impossibilidade de uma consulta frente aos preços que, geralmente, são altos: o meu contexto atual, de classe C, e de muitos vestibulares no mês que vem vai requerer muitos gastos, o que inviabiliza essa consulta. Minha mãe aparenta estar perturbada com a sugestão de consultar a cadela com um veterinário, o que se nota quando ela me pergunta: o veterinário ou os vestibulares?
Meu pai e minha mãe criam uma atmosfera de otimismo frente à doença, tentando descartar raiva - mesmo depois de verem nas buscas via NET que os acometidos por raiva não necessariamente apresentam agressividade. Eles tentam se mostrar convencidos de que se Meimei estivesse com raiva, estaria violenta.
De repente, ela tem uma diarreia profusa. Extremamente fétida, ela aponta para apenas uma doença provável; parvovirose.
Ela já perdeu muita água hoje, através dos vômitos e da diarreia recente. Sobre a doença Parvovirose, os sintomas estão todos presentes em Meimei; anorexia (ela para de comer), perda de apetite, vômitos e diarreias intensas...
Tento, com ajuda de meu pai, introduzir à força um soro. Não sei como lidar com seringas e nem tenho uma casa... Meimei é jovem e ainda não foi vacinada pelos "mutirões" de vacinação do Centro de Zoonoses que passam de casa em casa, atendendo "à demanda".
Pesquiso mais sobre a doença - não restam dúvidas de que se trata de Parvovirose... Cada informação que leio é devastadora para mim. Delas, só uma conclusão, que nem precisaria de muita pesquisa para se chegar a ela: Meimei está sofrendo - o pior de tudo. O vírus está atacando e destruindo as células da mucosa interna do intestino.
Sobre o que Meimei ainda poderá sofrer, prefiro não comentar, pois não se trata de fatos, apenas de especulações que podem causar mais sofrimento, que, de repente, seriam inúteis.
O tratamento consiste em tentar mantê-la viva até seu organismo criar anticorpos que a protejam. Minha mãe me diz que ela sobrevevirá - acredito que é um artifício dela para não se sentir afetada e não ter que agir. Meimei precisa de uma dose intravenosa de soro, para compensar a água perdida o desequilíbrio salino. Precisa de remédios cicatrizantes para as perdas que o intestino está sofrendo.
Você pode seguramente dizer que se trata de alguma vitimização. Mas, é inevitável pensar que se eu fosse de uma classe social mais abastada, B ou A, a angústia já seria parcialmente resolvida; eu estaria na clínica, onde Meimei estaria internada e teria altas chances de sobreviver. Nas condições em que está, prefiro lembrar que o futuro é imprevisível. Que, como Hume dissera, a relação causa e efeito é nada mais que um produto do hábito e não necessariamente da verdade. Prefiro acreditar que a "probabilidade" sempre apresenta uma margem de erro para prever o futuro... que no caso da Meimei, a "lógica" vai falhar...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

RELIGIÃO FAZ-SE DE HOMENS (Religion: a human vehicle)


Análises críticas acerca da história das religiões apontam para o fato de a violência ser, ao contrário do que se costuma pensar, um dos valores inscrustrados em suas pregações - principalmente no que toca a intolerância às crenças alheias, mesmo que de forma implícita. Seguindo essa linha de raciocínio, costuma-se dizer que a grande culpada pelas atrocidades cometidas pelo homem, visualizadas nas Cruzadas, por exemplo, e nos ataques terroristas da atualidade é a religião. Porém, o que se pode observar é que a religião quase nunca foi sujeito e sim objeto, um veículo de condução das vontades do homem.
As Cruzadas, episódio histórico cujo suposto objetivo era libertar Jerusalém dos turcos otomanos seldjúcidas, os quais haviam proibido as peregrinações cristãs ao lugar, ocultava a possibilidade de enriquecimento através daquele lugar, o que conduziu vários nobres em crise financeira a aderir ao movimento. Como resultado: surpresa! As relações comerciais Ocidente-Oriente se intensificaram e o renascimento urbano-comercial se deu. Mais uma vez, valores religiosos submetidos aos interesses econômicos de homens "em nome da fé".
Na edição especial da revista Veja sobre o mundo pós Bin Laden, lê-se: "Inicialmente, o Corão permitia que pessoas de outras religiões professassem sua fé em paz e proibia os muçulmanos de convertê-las à força (...) Com o passar do tempo e com a ascensão do fundamentalismo islâmico, essa ordem foi sendo reinterpretada (...)". E é neste último ponto, a reinterpretação, que reside a origem da maior parte dos problemas que se observam permeando a religião.
No contexto do Talibã, reprimir era um modo de evitar que a religião se esvaísse. A religião é feita de dogma, aquilo que não pode ser contestado. Não havendo contestação, o que acontece? Prolongava-se sua duração no poder.
O mesmo vale para a "luta contra o Imperialismo Ocidental", usando como justificativa o fato de a Guerra Santa ser um valor do Corão. A vontade humana vem como o maior fator explicativo das atrocidades observadas pelo terrorismo "em nome de Deus" na contemporaneidade; a vontade de subjugar a mulher; a vontade de enriquecer, matando; a vontade de apropriar-se do poder, justificando que esse quadro é a vontade divina - um traço de Absolutismo ainda observável na atualidade, vide os governos teocráticos hoje existentes.

Critic analysis about the religion history signs that the violence is part of it as one if its principles, it does not mind if it happens implicitly. It is remarkable when the issue is intolerance. Following this reasoning, it is common to say that the religion ist the big guilty of so many atrocities did by the man as the Crusades, for example, and the recent terrorist attacks, as 9/11. But something can be observed is that Religion has never been the subject of the history. It has been an object; a vehicle to conduct people to materialize human wills.
The Crusades, a historic episode which supposed objective was set Jerusalem free of Seljudic Turkish, a people that had prohibited Christian pilgrimages to that place, hided the possibility of getting richer through what Jerusalem could offer. That made a big number of aristocrats in finance problems had given support to the "Faith Cause". Guess what happened: the economic relations between West and East had raised expressively and the urban and commercial reborn had been generated. One more time, religious values were submitted to human economic interests in behalf of the "faith".
In a special edition of Veja magazine about the world post Bin Laden, it can be read: "on the beggining, the Koran, allowed people from other religions to normally do their rituals and prohibited muslims of forcing someone to become a muslim (...) The has passed and the Islamic Fundamentalism rising, this was reinterpretated (...)". That´s the key point that generated a big range of problems and savageries that involves religion.
In the Taliban context, to repress was a way of avoiding the religion had been affected or changed. The way it was established, it was structured in a dogmatic system, a kind of system the contestation cannot exist. When there is no contestation, what happens? The power is maintained the way it is. It was convenient to Taliban members.
The same logic can be applied to the battle againt the "West Imperialism", using as justification that it is value deffended by the Koran, the Jihad. However, the Homo sapiens desire is surely more influent in order to explain the monstruosity observed in terrorism "in behalf of God"; the wish of submitting the woman; the wish of getting power, it does not mind if killing is "necessary" to achieve it and the wish of appropriating of the power, claiming that is God wish - a sign of Absolutism observed in teocratic governments, nowadays.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A RUPTURA DO MEDO COMO ESTOPIM À LIBERDADE

A atual campanha da Gazeta do Povo e da RPC, incentivando as pessoas à denúncia, cumpre com o papel da imprensa e ao mesmo tempo pode trazer a discussão acerca dos pontos positivos e negativos do medo.
Quando dosado, é necessário, já que obriga o ser humano a encontrar alternativas de superação ou proteção. Um exemplo emblemático é o do homem da Pré-História, o qual, desprovido de armas biológicas, como garras, dentes afiados, olfato ou audição muito aguçados, se viu obrigado a se esconder em cavernas e, depois de descoberto o fogo, encontrou nele um método de proteção de perigosos predadores à espreita.
No caso citado, o medo aparece como elemento de superação. Mas, ele é negativo quando conduz o ser à inanição, o que impede o indivíduo de se superar ao desenvolver a coragem, o que o tornaria menos suscetível à dominação por entes alheios, leia-se os casos em que mulheres que sofrem violência doméstica e por medo de retaliação do marido, não o denunciam (caso retratado na televisiva "Fina Estampa"), continuando a sofrer o mal.
Felizmente, há pessoas, como as que concretizam a Primavera Árabe, rompendo esse elemento e conduzindo o país a uma revolução política e a uma liberdade maior. Na Síria, a intensa repressão não amordaçou os movimentos. Isto porque as pessoas, ao se rebelarem, se sentiram apoiadas umas pelas outras, pela imprensa mundial e pela mobilização nas redes sociais.
Cabe à sociedade, portanto, estimular essa postura, valorizando os que a têm, premiando-as como o Nobel da Paz 2011, ou como a imprensa, quando esta expõe à sociedade os casos de engajamento em meio a contextos repressivos e perigosos, exaltando sua coragem e, assim, disseminando e internalizando este valor na sociedade.

The campaign Paz sem Voz é Medo from Brazilians groups of communication RPC and the journal Gazeta do Povo, encourage people to denounce what is seen as wrong, doing the function the press has. That makes one discuss about positive and negative points the fear brings.
When the fear is balanced, it is necessary. It forces the human to find superation alternatives or protection ones. An emblematic one is the Pre-History Man, a "sapiens" without biological guns, as claws, sharped thief, smell or hearing very developped... The man instigated by the fear was obligated to hide himself/herself in caves. After the fire was discovered, it became a protection against dangerous animals.
In this case, the fear is exemplified as a superation element. But, it is negative when it leads people to inanition, something that blocks the person of developping courage and superation. It would make the human become less vulnerable of a coercive domination from other humans or any elements. It is possible to observe it in cases of domestic violence. Women, full of fear, don´t denounce their husbands. As a result of this, they continue to be attacked. This case is watched now in the main soap opera exhibited in Globo, Fina Estampa.
People as the ones that materialized the Arabian Spring broke the fear and led the country to a politic revolution and a bigger freedom. In Syria, the intense repression didn´t ended the uprisings. This happened because people felt supported one by the other, by the international press and by the mobilization via Internet.  
These elements lead to a conclusion: it is a society function to stimulate this kind of actitude, valorizing the ones who take it, rewarding them, like it was done by Nobel Prize of Peace 2011, or by the press, whent it exposes to the society the cases of engagement in difficult, repressive and dangerous contexts, focusing on their courage and then disseminating this value on the society.

NOBEL DA PAZ: LEVANTE, UMA ATIVIDADE FEMININA



Ellen Johnson, Karman Tawakkul e Gbowee Leymah são três nomes marcantes de 2011 e, até certo ponto, da História. Elas venceram o prêmio Nobel da Paz deste ano.
Elas foram escolhidas por seu engajamento social pela paz e pelos direitos da mulher, o que, pelo princípio, foi uma medida extremamente válida, já que dessa forma, está-se incentivando mulheres e, pessoas como um todo, a se mobilizar socialmente, mesmo que o contexto seja de repressão e violência, sendo estes dois elementos presentes principalmente na vida de Tawakkul e Leymah.
O desconforto em quem tem acesso a uma notícia como essa é que elas terão que dividir o prêmio e o presidente Barack Obama o ganhou sozinho em 2009.
Outra contestação que pode ser feita  é quanto ao fato da escolha da primeira mulher a ser eleita presidente em um Estado africano, Ellen Johnson. De fato, é uma barreira que ela conseguiu romper, a do machismo, uma forma também de violência e repressão, para ter conseguido chegar onde chegou. Além do mais, sua história de vida é um modelo referencial a todas as mulheres do mundo, já que cursou uma universidade e se especializou nos Estados Unidos. No entanto, o perigo de vida que ela sofreu não foi tão evidente quanto o vivenciado por Karman Tawakkul e Gbowee, pelo que se pode concluir de suas ações.
Fora estes fatores, essa escolha pode ser mal vista quando se tem em mente que ela disputa uma reeleição presidencial que se dará nas eleições de 11 de outubro.
No lugar dela, outra ativista poderia ter sido premiada, a afegã Sima Samar, que luta pelos direitos femininos no Afeganistão. Isto porque faz exatamente dez anos que o Taliban foi derrubado do poder no país, mas este ainda sofre com este mal, com numerosos resquícios da milícia, que "agora" estão espalhados por todo o país, sob a denominação de "neotalibãs". Tendo-se em mente esse contexto em que a mulher ainda sofre repressão e perigo de todo tipo de violência naquele país, seria simbólico que ela também fizesse parte do "time das engajadas". Isto seria uma motivação para outras mulheres do Afeganistão.
Quanto à Karman Tawakkul e Leymah, ambas efetivamente sofreram perigo. A primeira, jornalista no Iêmen, o que em si já é desafiador e perigoso, participante da Primavera Árabe - evento em que a repressão violenta é personagem protagonista e mulher. A segunda, pregou a participação feminina na política e denunciou publicamente os estupros sofridos pelas mulheres efetuados por soldados durante a Guerra Civil da Líbia. Ela também sofreu perigo, pois isso foi ainda durante a guerra, em 2003.
De qualquer forma, 2011 fica como um ano em que as palavras "mulher" e "levante" ficam como definidoras e inevitavelmente atreladas uma à outra. Parabéns à todas elas que dão exemplo de comportamento ao mundo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

UM DESESTÍMULO (IN)DIRETO


A retirada do programa "Linha Direta" do ar desde 2008 foi uma atitude contestável da parte da nova diretoria da Rede Globo e de prejuízo à sociedade brasileira.
O formato da emissão compreendia um crime que era dramatizado e, ao final, convocava-se o telespectador, caso tivesse informações sobre o paradeiro do criminoso foragido responsável pelo crime mostrado e outros, a denunciá-lo.
Por um lado, o televisivo colocava o foco no crime, o que, em si, é algo, até certo ponto, condenável, já que, implicitamente, ensina-se que para aparecer na sociedade é preciso cometer o que é moralmente errado, afinal, aquele cometeu o crime ganha mais espaço na mídia.
Entretanto, a importância do programa residia no fato de acostumar a sociedade ao valor da denúncia, o que, em si, é um dever do cidadão. Ao convocar à denúncia, por parte do espectador, este se via integrado com o programa e incentivado a agir socialmente através daquela.
Quando seu ex-apresentador, Domingos Meirelles, esteve em Foz do Iguaçu, o procurei para falar sobre o assunto e este aludiu para o fato de que nos Estados Unidos este tipo de emissão televisiva é comum, país onde a denúncia não é vista como uma delação e sim como um dever e um direito, situação contrária à do brasileiro.
Na deste, fazer uma demúncia é ser um "dedo duro" e como o brasileiro, naturalmente, tenta sempre evitar o "conflito", enganado por essa falsa noção, acaba saindo prejudicado por não cumprir com sua obrigação e não exigir seus direitos. Nesse panorama é que a reitrada do ar do "Linha Direta" foi um erro, já que, justamente, incentivava o telespectador a agir ativamente, a ter uma postura engajada.

REDIMIÇÃO DA RESPONSABILIDADE

A Prefeitura de Foz do Iguaçu financia uma nova campanha, principalmente pela televisão, criticando atitudes irracionais de seus moradores, denominando-as de "comportamentos antissociais". Estas práticas vão de imprudências no trânsito, lixo nas ruas até o hábito de deixar água parada - um estímulo à proliferação do mosquito da Dengue.
De fato, é uma atitude válida, pois o cidadão, tido comumente como aquele que é dotado de direitos, também vê enfatizados seus deveres, os quais geralmente não são lembrados em meio a qualquer reivindicação.
A crítica que pode ser feita, entretanto, é que, apesar de se tratar de uma história fictícia, a responsabilidade dos cidadãos sobre suas atitudes é redimida deles, pois esta é atribuída ao grande Mal invisível que saiu da "arca descoberta durante a construção de Itaipu". Isso se traduz num valor que reforça implicitamente a condição de vitimização das pessoas - "foi o Mal o responsável por minha atitude" ou "eu sou rebelde porque o mundo quis assim", sendo este último um fragmento de uma antiga canção da cantora Lílian.
É compreensível essa postura da prefeitura, afinal, criticar é algo delicado e se tratando de um povo mais imaturo, é preciso demonstrar que não se é inimigo dele por fazer uma crítica - algo implicitamente entendido pelas pessoas quando o tema é a crítica. No entanto, outros meios deveriam deveriam ter sido encontrados para tal, como o de elogiar alguns comportamentos do cidadão e, em seguida, tecer a crítica. Isso foi feito em um segundo vídeo, mas a redimição de responsabilidade vigorou. Do modo como foi feito, as autoridades não cumprem com seu dever de cidadãos, o de contribuir para construir uma sociedade mais madura e não uma mais autovitimizante.


Observação: há três erros gramaticais no vídeo. Nas expressões "combate a dengue", "combate a imprudência no trânsito" e "combate a sonegação de impostos" deveriam ser escritos todos dentro de caso de crase: "COMBATE À DENGUE", "COMBATE À IMPRUDêNCIA" e "COMBATE À SONEGAÇÃO DE IMPOSTOS". Três erros quase seguidos em letras enormes. Será que passou "despercebido" pelo revisor do vídeo?

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A VIDA NA FRONTEIRA: (NO) EQUILÍBRIO DE FORÇAS


Mas, até quando esse dualismo vai continuar?

A VIDA NA FRONTEIRA: (NO) EQUILÍBRIO DE FORÇAS

... E alguém que perde.


A VIDA NA FRONTEIRA: (NO) EQUILÍBRIO DE FORÇAS...

Sempre há alguém que ganha...


A VIDA NA FRONTEIRA: AS MULHERES DA FRONTEIRA


Durante a elaboração desta fotorreportagem, peço permissão a algumas pessoas para fotografá-las durante um momento tão cotidiano e, muitas vezes, não tão prazeroso para alguns; o almoço.
Dentre os casos que recebi um "não", todos foram de mulheres, o que me levou a refletir sobre por que seriam apenas as mulheres, as mulheres da fronteira, que não permitiram se deixar fotografar.
Dentre as conclusões a que cheguei, uma delas é que num mundo que é movido pela atenção e, sendo esta voltada para aqueles que são dotados de uma beleza e de um glamour padronizados e para aqueles que tem o dinheiro, um indivíduo - uma mulher - fora dos padrões de beleza, desajeitado, "comum" e, pobre, está longe daquilo que a sociedade reconhece como digno.
Em meio a esse contexto, ser mostrada dessa forma é demonstrar estar longe daquilo que constitui o sonho da mulher cotidiana da fronteira, do interior, da periferia... Ou, pelo menos, daquilo que se tem em mente que deveria ser digno. É dar seguimento à vergonha por ser quem se é, quando, na verdade, a vergonha deveria partir mesmo é de todos os que foram responsáveis por estarem ali, naquelas condições, precárias e subhumanas.

A VIDA NA FRONTEIRA: UMA NOVA FORÇA

Uma nova força tem sido feita neste lugar desde que o Centro de Conscienciologia chegou se instalou na cidade de Foz do Iguaçu.
Com o Centro, intelectuais e profissionais das principais capitais brasileiras migraram para este lugar, trazendo consigo diferentes e produtivas experiências, que culminam em incontáveis benefícios para a cidade, como a revolução na educação do ensino médio, feita por membros desse centro de estudo. A educação local se encontrava anteriormente em rota de colisão com o fracasso.
Além destas vantagens, um número crescente de livros tem sido lançado na região, livros escritos por conscienciólogos que, de qualquer forma, acabam contribuindo para a internalização da concepção de leitura na Terra das Cataratas, principalmente.
Após fazer essa fotografia, Waldo Vieria me sugeriu que fotografasse algumas instalações do Centro, como um corredor de bustos de grandes autoridades da história do pensamento. Talvez ele não tenha ouvido, porém o respondi que a principal diferença não é feita por lugares e sim por pessoas, no caso, ele e todos os estudiosos que migraram para a terra iguaçuense.
A questão, na minha concepção, é que belos lugares podem ser captados pelas câmeras de um observador qualquer... Diferente de momentos. Momentos... Estes exigem uma percepção rápida e aguçada por parte do fotógrafo, por entender por que, para que ou, simplesmente, que estes precisam ser captados.

A VIDA NA FRONTEIRA: E EM MUITOS CASOS... DE FORMA EXCESSIVA

A VIDA NA FRONTEIRA: MAS, ÀS VEZES, A FORÇA TEM QUE SER FEITA SOZINHA

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A VIDA NA FRONTEIRA: A UNIÃO FAZ A FORÇA (Border life: powerful union (?))

A VIDA NA FRONTEIRA: FUERZA, CUESTIÓN DE SUPERVIVENCIA


A VIDA NA FRONTEIRA: HORA DO ALMOÇO... (Border life: time to have lunch!)







A VIDA NA FRONTEIRA: COTIDIANO TECNOLÓGICO (ADAPTACIÓN) (Border life: the technologic daily and its adaptations)

A VIDA NA FRONTEIRA: LINHAS DIFUSAS NUM OLHAR

As discussões são muitas. As versões sobre também. O choque entre elas, a tradicional e a moderna, é notável e polemico. A Guerra do Paraguai ou a Guerra da Tríplice Aliança deixou marcas que são notáveis até os dias atuais. Um país que foi brutalmente desolado e que ainda hoje não conseguiu se reerguer.
Entretanto, chama muito a atenção um discurso de vitimização e de determinismo intensos, abarcando essa discussão. Como se o ocorrido com gente do passado fosse capaz de determinar o comportamento de quem ali vive no presente.
Para o argumento de que ao decorrer da História houve exemplos emblemáticos de países que conseguiram se reerguer depois de grandes destruições, como Japão e Alemanha, alcançando o ápice mundial de desenvolvimento economico, há o contra-argumento de que em nenhum outro lugar do mundo a população masculina fora tão dizimada quanto no Paraguai, onde a versão tradicional histórica aponta que mais de 90% da população de homens foi morta (inclusive crianças). Costuma-se atribuir a esse fator uma das explicações para o grau de descaso em que se encontra a nação desde então.
Essa argumentação, entretanto, "permite" fazer uma inferencia perigosissimamente machista, que, no entanto, está implícita na mente das pessoas: a de "que a mulher não foi capaz de construir sozinha o país" ou de que "o país é o que é porque ficou na mão das mulheres". Isto constitui um verdadeiro absurdo! Além do mais, esse discurso, na verdade, aponta para uma então desigualdade já anterior à Guerra, a de generos, o que, em si, já começa a desmistificar a condição de idealidade que a História tradicional dá à "efervescente república da América do Sul".
A revista "Superinteressante" trouxe em 2010 uma capa com uma série de desmistificações a respeito da História que é contada no Brasil. Uma delas se relaciona à Guerra do Paraguai. Segundo pesquisadores da USP, mencionados na matéria, a nação "albiroja" não era a segunda potencia do mundo e sim a sexta, da América do Sul e, pelo que parece, a Inglaterra se mostrou bastante receosa frente à iminencia de um conflito já que ela possuía uma série de escritórios no país e uma guerra, portanto, a ela seria desvantajosa.
São versões que conduzem a um refletir: não seria a história do vencido contada sobre a Guerra do Paraguai um meio de tentar atribuir a outrem (Inglaterra, Brasil, Uruguai e Argentina), elementos do passado, a culpa pelo fracasso atual, redimindo-se da responsabilidade que se tem pela transformação da realidade de hoje? A postura de desanimo e preguiça, em vários - é muito comum ver policiais sentados, em horário de trabalho, no Paraguai - não pode constituir um fator a ser excluído para a explicação dessa história. É algo influenciado pela Guerra, mas não apenas. Dentro de uma concepção sartreana, a vontade do indivíduo é tão e mais pesada do que a influencia histórica.
No meio de todo este contexto, é importante sim saber do que, no passado, foi feito para poder cobrar hoje satisfações e "pagamentos" das dívidas históricas feitas, deixando a inanição de lado. Entrentanto, o mais importante a ser lembrado é o papel que as pessoas tem HOJE na construção dessa realidade, ao invés de procurar-se a todo tempo um culpado pelo fracasso economico-social atual.
Apesar de tudo, enquanto ninguém toma uma atitude, é o olhar distante que se nota nos rostos de muitos.

A VIDA NA FRONTEIRA: L´INDIFFÉRENCE (Border life: l´indifférence)


A VIDA NA FRONTEIRA: A MERETRIZ (Border life: the prostitute)

Muitas vezes, fica difícil não enxergar na imagem do país Paraguai e não enxergá-lo como este fosse uma meretriz. Na relação com a prostituta, o cliente está interessado em satisfazer uma necessidade pessoal. Porém, é raro haver a noção de que aquela é um indivíduo que tem uma história, um motivo que a levou até ali e um conjunto de perspectivas. Está-se interessado em ser servido, mas nunca em servir.
Assim é a relação de quem usufrui do que Ciudad del Este oferece. Todos estão interessados nos preços baixos e no luxo fácil que ela provem. A verdade é que todos se esquecem que atrás dos balcões existe um país abandonado e à míngua, com problemas que quase ninguém está efetivamente interessado em resolver... E o que dizer da parte dos turistas? Da parte de quem vem de fora visitar e usufruir dali? A maioria simplesmente não percebe que estes problemas estão ali; visíveis aos seus olhos.

So many times, it is inevitable to look to Paraguay and to see this country as it was a prostitute. In a relation with an one, the consumer is interested in meeting his/her necessities. He/she does not mind if the prostitute has problems or not, in what made her get into this context, in which perspectives she has to her future. He/she is interested in beeing served, but never to serve.
That´s the relation people that take what Ciudad del Este can offer as advantages have with it. Everybody is interested in low costs and easy luxury that it offers. Everybody forgets there is a problematic and abandoned country behind the store counters. Those are problems that nobody seems interested in a solution. What so say about tourists? A big range of them do not realize those issues is there, "visible" to them.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A VIDA NA FRONTEIRA: INTRODUÇÃO (Border life: introduction)



A fotossérie "A Vida na Fronteira" é um trabalho fotográfico amador que produzimos (falo em primeira pessoa do plural em função de todo o apoio fornecido por meus pais em relação ao "meu" trabalho) para tentar concretizar a função social da Fotografia e do fotógrafo; mostrar aquilo que deve ser mostrado. Em se tratando da fronteira, causar no observador e no componente da imagem o que parece tanto faltar neste lugar: um mínimo de reação.
Nesta galeria, tentou-se captar aspectos da vida cotidiana de uma camada social expressiva da tríplice fronteira mais populosa da América do Sul, Foz do Iguaçu-Ciudad del Este-Puerto Iguazú - ainda que o destaque seja dado para a fronteira Ciudad del Este-Foz do Iguaçu. A região é ostentada pelas suas belezas naturais e pelo potencial de construção que o homem tem, leia-se a Usina Hidrelétrica de Itaipu. No entanto, graves problemas sociais não ocupam as fotografias tiradas pelos turistas neste lugar, justamente elementos que, além das Cataratas do Iguaçu, o caracterizam muito bem, como, por exemplo, o trabalho infantil.
Sobre aqueles que por esta localidade passam e parecem não ver que algo precisa ser denunciado e, por consequência, modificado, pode-se dizer que é a indiferença dessas pessoas que desfrutam do que há de belo e não se importam com o que "não lhes concerne"? Ou é a alienação que infiltra as mentes dos visitantes, os impedindo de perceber a situação e se engajar?
Vale lembrar que a fronteira não é de todo negativa e alguns pontos positivos também serão levados em conta.

The photoseries "A Vida na Fronteira (The Border Life)" is an amateur photographic material produced by me and my parents (they helped giving support to me, driving me to the places I indicated). This was done in order to materialize the photographer and Photography´s fonction in the society; to show what deserves and has to be showed. In the border, it means to cause a reaction in the observer and in the characters that make part of the photography. Reaction is something that really lacks in that place.
In this photogallery, we have tried to get usual habits and aspects from a social layer so expressive in the most populous frontier from South America. That is the one compound by Foz do Iguaçu, Ciudad del Este and Puerto Iguazú. The region is shown by its natural beauties (Iguassu Falls) and by the men power of building and changing the environment so that it can follow their interests (Itaipu Dam). However, grave problems ravage this region, some elements that are so characteristics as its beauties are, like child work.
Many tourists come to this border, taking advantages from many aspects the place offers, like slow costs and an easy luxury to get access to. Nevertheless, they seem to not see the problematic illnesses the triple Border suffers of. Illnesses that need to be denounced so that all the Brazilian and the world society can see. Could it be the indifference the cause of tourists and "foreign people" "not seeing" those aspects, aspects that don´t have to do with them? Or could it be the alienation the element that governs their minds so that they don´t realize what is in front of their eyes, preventing them to act?
The frontier is not only made by negative aspects and the positive ones will be mentioned to.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

MUROS SOCIAIS: SUJEIRAS PARA DEBAIXO DO TAPETE E DO CINISMO

No televisivo "Café Filosófico", a bailarina Dani Lima defendeu a ideia de que o espaço é a materialização da forma como os indivíduos percebem o mundo. Os muros validam essa formulação quando mostram a concepção de divisão social que está internalizada na mente dos que dividem e dos que são divididos, algo tido como ideal.
Dizer que a divisão social é uma fatalidade, algo que sempre ocorreu e ocorrerá é uma verdadeira ideologia que esconde o fato de que foi o homem quem construiu esse fator da sociedade. Muros como os dad fronteira mexicano-estadounidense ou dos enclaves fortificados ou mais conhecidos como "condomínios de luxo" foram feitos por humanos a mando de alguém ou de "alguéns".
Esses "alguéns" arquitetaram isto por considerá-lo como ideal. Afinal, para Jean-Paul Sartre, os indivíduos tomam atitudes construindo um perfil que onsideram como ideal, fazendo aquilo ue acham, mesmo implicitamente, que qualquer ser humano deveria fazer em seu lugar.
No caso dos muros, a "idealidade" reside no se isolar dos problemas sociais, da violência "lá fora" e, dentre outros fatores, da resolução dos problemas considerados "dos outros", como a marginalização urbano-espacial. Esse quadro é mais evidente com os "condomínios de luxo".
Esse panorama mostra nada mais e nada menos do que um apostura de comodismo à sua zona de conforto, principalmente em se tratando das elites. De fato, a construção de um muro na fronteira da Cisjordânia com Israel "reduziu" o número de de ataques por homens-bomba no lado israelense. Entretanto, a oposição a ele alega que ele concretiza a segregação social e incitá-la ainda mais ao ódio.
Mudando a disposição espacial, a forma de perceber dos indivíduos é forçada a ser alterada. Proibir a construção de muros é uma forma de fazer com que as pessoas da elite se vejam afetadas e obrigadas a um engajamento social, lutando por seus interesses, os quais, no fundo, são os de todos, como, por exemplo, a paz.