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Crédito: Blog da Mythos. |
Em entrevista a Marília Gabriela, a psicóloga Lígia Aratangi atesta para o perigo dessa postura social. Segundo ela, dessa forma, a sociedade acaba sendo ensinada que praticando o mal, será o foco da mídia. E se tratando de tempos em que o desejo de fama e atenção é quase uma regra entre as pessoas, não fica tão difícil entender o porque de "grandes" mensagens ou manifestos serem deixados por assassinos, depois que estes se suicidam ou cometem massacres, como o caso de Wellington de Oliveira, do massacre de Realengo, ou de Breivik, do de Utoya. Eles querem destaque, ser lembrados como heróis, ficarem como mártires.
Durante o julgamento de Lindemberg, Nayara afirmou que o réu se orgulhava quando via o estardalhaço feito em torno de seu caso. São exemplos de elementos que evocam a promoção. Nas palavras da juíza Milena Dias, o crime fora cometido por EGOÍSMO e ORGULHO. Resultado: todo o enfoque dado na sociedade vira um meio de vazão para esses anseios.
É certo que talvez, se não fosse esse meio, encontrariam outro para extravazar a brutalidade que são. No entanto, fica aberto o espaço para a discussão sobre aquilo que a sociedade dá mais importância. Vê-se que aquilo que envolve uma história com altos e baixos, que evoque muita emoção, como uma novela, é o que mais rende audiência.
Segundo uma antrópologa que procurei no ano passado para falar sobre essa tendência que as pessoas têm pelo gosto da tragédia, ela me disse que isso pode acontecer dessa forma porque o cérebro tende a "gostar" das situações em que possa analisar contextos que um dia venha a vivenciar. Desse modo, ele já terá uma saída para quando o problema, de fato, acontecer na vida real.
Contudo, o ser humano não é um escravo de sua natureza, pois, como dissera Jean-Paul Sartre, ele é um "eterno projeto". Isto significa que ele sempre pode modificar-se e, neste caso, é o que ele deve fazer, reavaliar seus conceitos sobre aquilo que deve dar mais importância e aquilo que deve dar menos. Se a advogada Ana Lúcia Assad estava certa sobre o fato de a sociedade e a imprensa terem tido culpa no desfecho do caso Eloá, pode ser que sim... Mas, diferente de Lindemberg, ainda sob a luz de Sartre, a sociedade não está condenada. Se a atenção é dada para aqueles que matam, a sociedade está fomentando sua própria morte.
The Brazilian press focuses on Lindemberg and nothing is reserved for Nicolélis. That is a situation in which we see what kind of values our society has. The evil receives more attention... But, in some cases, it receives all of it.
In an interview to Marília Gabriela, the psychologist Lígia Aratangi reminds us the danger that is in this way of dealing with the reality. As she says, this way, the society is taught that behaving bad, it will be focused by the press. Nowadays, the fame and the attention desire is almost a rule between people, in general. So, it is not so difficult to understand why the "big" messages or manifests are left by muderers, after they pratice their crimes or suicide themselves, like Wellington de Oliveira case, from the Realengo massacre, or like Breivik, from Utoya one. They want to be remembered, the most commented, to "rest" as martyrs.
During the jugdement from Lindemberg, Nayara affirmed that he got proud when he saw the repercussion the kidnapping he was producing was given. Those are examples of elements that evoke promotion. In the words from the judge Milena Dias, the crime were committed by SELFISHNESS and LORDLINESS. As a result of this, the press is used as a vehicle to make possible the fluid of their desires.
Maybe, if it was not this vehicle, they would find another one to reveal their brutalities. Nevertheless, that is a situation to discuss about what society gives more importance. We can see that what involves so much emotion, as soap opera, catches the audience.
As said by an anthropologue I have made some questions about the tendence people have to love tragedy, it can be explained by the fact the brain tends to "like" situations in what it can analise contexts that one day it can face. This way, it will "have" a solution when the problem actually happens to the person.
However, the human being is not a nature slave. As said by Jean-Paul Sartre, the human being is an eternal project. It means that she/he will always be able to modify herself/himself. In this case, that is exactly what must be done; to rethink about what deserves more attention and what does not. If the lawyer Ana Lúcia Assad was right about the guilt that the press and the society shares with Lindemberg related to the murder of Eloá, it can be... But, remembering of what said Sartre, differently from Lindemberg, the society is not condemned. If the attention is given to those who kill, the society will be promoting is own death.
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