segunda-feira, 3 de outubro de 2011
A VIDA NA FRONTEIRA: LINHAS DIFUSAS NUM OLHAR
Entretanto, chama muito a atenção um discurso de vitimização e de determinismo intensos, abarcando essa discussão. Como se o ocorrido com gente do passado fosse capaz de determinar o comportamento de quem ali vive no presente.
Para o argumento de que ao decorrer da História houve exemplos emblemáticos de países que conseguiram se reerguer depois de grandes destruições, como Japão e Alemanha, alcançando o ápice mundial de desenvolvimento economico, há o contra-argumento de que em nenhum outro lugar do mundo a população masculina fora tão dizimada quanto no Paraguai, onde a versão tradicional histórica aponta que mais de 90% da população de homens foi morta (inclusive crianças). Costuma-se atribuir a esse fator uma das explicações para o grau de descaso em que se encontra a nação desde então.
Essa argumentação, entretanto, "permite" fazer uma inferencia perigosissimamente machista, que, no entanto, está implícita na mente das pessoas: a de "que a mulher não foi capaz de construir sozinha o país" ou de que "o país é o que é porque ficou na mão das mulheres". Isto constitui um verdadeiro absurdo! Além do mais, esse discurso, na verdade, aponta para uma então desigualdade já anterior à Guerra, a de generos, o que, em si, já começa a desmistificar a condição de idealidade que a História tradicional dá à "efervescente república da América do Sul".
A revista "Superinteressante" trouxe em 2010 uma capa com uma série de desmistificações a respeito da História que é contada no Brasil. Uma delas se relaciona à Guerra do Paraguai. Segundo pesquisadores da USP, mencionados na matéria, a nação "albiroja" não era a segunda potencia do mundo e sim a sexta, da América do Sul e, pelo que parece, a Inglaterra se mostrou bastante receosa frente à iminencia de um conflito já que ela possuía uma série de escritórios no país e uma guerra, portanto, a ela seria desvantajosa.
São versões que conduzem a um refletir: não seria a história do vencido contada sobre a Guerra do Paraguai um meio de tentar atribuir a outrem (Inglaterra, Brasil, Uruguai e Argentina), elementos do passado, a culpa pelo fracasso atual, redimindo-se da responsabilidade que se tem pela transformação da realidade de hoje? A postura de desanimo e preguiça, em vários - é muito comum ver policiais sentados, em horário de trabalho, no Paraguai - não pode constituir um fator a ser excluído para a explicação dessa história. É algo influenciado pela Guerra, mas não apenas. Dentro de uma concepção sartreana, a vontade do indivíduo é tão e mais pesada do que a influencia histórica.
No meio de todo este contexto, é importante sim saber do que, no passado, foi feito para poder cobrar hoje satisfações e "pagamentos" das dívidas históricas feitas, deixando a inanição de lado. Entrentanto, o mais importante a ser lembrado é o papel que as pessoas tem HOJE na construção dessa realidade, ao invés de procurar-se a todo tempo um culpado pelo fracasso economico-social atual.
Apesar de tudo, enquanto ninguém toma uma atitude, é o olhar distante que se nota nos rostos de muitos.
A VIDA NA FRONTEIRA: A MERETRIZ (Border life: the prostitute)
Assim é a relação de quem usufrui do que Ciudad del Este oferece. Todos estão interessados nos preços baixos e no luxo fácil que ela provem. A verdade é que todos se esquecem que atrás dos balcões existe um país abandonado e à míngua, com problemas que quase ninguém está efetivamente interessado em resolver... E o que dizer da parte dos turistas? Da parte de quem vem de fora visitar e usufruir dali? A maioria simplesmente não percebe que estes problemas estão ali; visíveis aos seus olhos.
So many times, it is inevitable to look to Paraguay and to see this country as it was a prostitute. In a relation with an one, the consumer is interested in meeting his/her necessities. He/she does not mind if the prostitute has problems or not, in what made her get into this context, in which perspectives she has to her future. He/she is interested in beeing served, but never to serve.
That´s the relation people that take what Ciudad del Este can offer as advantages have with it. Everybody is interested in low costs and easy luxury that it offers. Everybody forgets there is a problematic and abandoned country behind the store counters. Those are problems that nobody seems interested in a solution. What so say about tourists? A big range of them do not realize those issues is there, "visible" to them.
So many times, it is inevitable to look to Paraguay and to see this country as it was a prostitute. In a relation with an one, the consumer is interested in meeting his/her necessities. He/she does not mind if the prostitute has problems or not, in what made her get into this context, in which perspectives she has to her future. He/she is interested in beeing served, but never to serve.
That´s the relation people that take what Ciudad del Este can offer as advantages have with it. Everybody is interested in low costs and easy luxury that it offers. Everybody forgets there is a problematic and abandoned country behind the store counters. Those are problems that nobody seems interested in a solution. What so say about tourists? A big range of them do not realize those issues is there, "visible" to them.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
A VIDA NA FRONTEIRA: INTRODUÇÃO (Border life: introduction)
A fotossérie "A Vida na Fronteira" é um trabalho fotográfico amador que produzimos (falo em primeira pessoa do plural em função de todo o apoio fornecido por meus pais em relação ao "meu" trabalho) para tentar concretizar a função social da Fotografia e do fotógrafo; mostrar aquilo que deve ser mostrado. Em se tratando da fronteira, causar no observador e no componente da imagem o que parece tanto faltar neste lugar: um mínimo de reação.
Nesta galeria, tentou-se captar aspectos da vida cotidiana de uma camada social expressiva da tríplice fronteira mais populosa da América do Sul, Foz do Iguaçu-Ciudad del Este-Puerto Iguazú - ainda que o destaque seja dado para a fronteira Ciudad del Este-Foz do Iguaçu. A região é ostentada pelas suas belezas naturais e pelo potencial de construção que o homem tem, leia-se a Usina Hidrelétrica de Itaipu. No entanto, graves problemas sociais não ocupam as fotografias tiradas pelos turistas neste lugar, justamente elementos que, além das Cataratas do Iguaçu, o caracterizam muito bem, como, por exemplo, o trabalho infantil.
Sobre aqueles que por esta localidade passam e parecem não ver que algo precisa ser denunciado e, por consequência, modificado, pode-se dizer que é a indiferença dessas pessoas que desfrutam do que há de belo e não se importam com o que "não lhes concerne"? Ou é a alienação que infiltra as mentes dos visitantes, os impedindo de perceber a situação e se engajar?
Vale lembrar que a fronteira não é de todo negativa e alguns pontos positivos também serão levados em conta.
The photoseries "A Vida na Fronteira (The Border Life)" is an amateur photographic material produced by me and my parents (they helped giving support to me, driving me to the places I indicated). This was done in order to materialize the photographer and Photography´s fonction in the society; to show what deserves and has to be showed. In the border, it means to cause a reaction in the observer and in the characters that make part of the photography. Reaction is something that really lacks in that place.
In this photogallery, we have tried to get usual habits and aspects from a social layer so expressive in the most populous frontier from South America. That is the one compound by Foz do Iguaçu, Ciudad del Este and Puerto Iguazú. The region is shown by its natural beauties (Iguassu Falls) and by the men power of building and changing the environment so that it can follow their interests (Itaipu Dam). However, grave problems ravage this region, some elements that are so characteristics as its beauties are, like child work.
Many tourists come to this border, taking advantages from many aspects the place offers, like slow costs and an easy luxury to get access to. Nevertheless, they seem to not see the problematic illnesses the triple Border suffers of. Illnesses that need to be denounced so that all the Brazilian and the world society can see. Could it be the indifference the cause of tourists and "foreign people" "not seeing" those aspects, aspects that don´t have to do with them? Or could it be the alienation the element that governs their minds so that they don´t realize what is in front of their eyes, preventing them to act?
The frontier is not only made by negative aspects and the positive ones will be mentioned to.
The photoseries "A Vida na Fronteira (The Border Life)" is an amateur photographic material produced by me and my parents (they helped giving support to me, driving me to the places I indicated). This was done in order to materialize the photographer and Photography´s fonction in the society; to show what deserves and has to be showed. In the border, it means to cause a reaction in the observer and in the characters that make part of the photography. Reaction is something that really lacks in that place.
In this photogallery, we have tried to get usual habits and aspects from a social layer so expressive in the most populous frontier from South America. That is the one compound by Foz do Iguaçu, Ciudad del Este and Puerto Iguazú. The region is shown by its natural beauties (Iguassu Falls) and by the men power of building and changing the environment so that it can follow their interests (Itaipu Dam). However, grave problems ravage this region, some elements that are so characteristics as its beauties are, like child work.
Many tourists come to this border, taking advantages from many aspects the place offers, like slow costs and an easy luxury to get access to. Nevertheless, they seem to not see the problematic illnesses the triple Border suffers of. Illnesses that need to be denounced so that all the Brazilian and the world society can see. Could it be the indifference the cause of tourists and "foreign people" "not seeing" those aspects, aspects that don´t have to do with them? Or could it be the alienation the element that governs their minds so that they don´t realize what is in front of their eyes, preventing them to act?
The frontier is not only made by negative aspects and the positive ones will be mentioned to.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
MUROS SOCIAIS: SUJEIRAS PARA DEBAIXO DO TAPETE E DO CINISMO
No televisivo "Café Filosófico", a bailarina Dani Lima defendeu a ideia de que o espaço é a materialização da forma como os indivíduos percebem o mundo. Os muros validam essa formulação quando mostram a concepção de divisão social que está internalizada na mente dos que dividem e dos que são divididos, algo tido como ideal.Dizer que a divisão social é uma fatalidade, algo que sempre ocorreu e ocorrerá é uma verdadeira ideologia que esconde o fato de que foi o homem quem construiu esse fator da sociedade. Muros como os dad fronteira mexicano-estadounidense ou dos enclaves fortificados ou mais conhecidos como "condomínios de luxo" foram feitos por humanos a mando de alguém ou de "alguéns".
Esses "alguéns" arquitetaram isto por considerá-lo como ideal. Afinal, para Jean-Paul Sartre, os indivíduos tomam atitudes construindo um perfil que onsideram como ideal, fazendo aquilo ue acham, mesmo implicitamente, que qualquer ser humano deveria fazer em seu lugar.
No caso dos muros, a "idealidade" reside no se isolar dos problemas sociais, da violência "lá fora" e, dentre outros fatores, da resolução dos problemas considerados "dos outros", como a marginalização urbano-espacial. Esse quadro é mais evidente com os "condomínios de luxo".
Esse panorama mostra nada mais e nada menos do que um apostura de comodismo à sua zona de conforto, principalmente em se tratando das elites. De fato, a construção de um muro na fronteira da Cisjordânia com Israel "reduziu" o número de de ataques por homens-bomba no lado israelense. Entretanto, a oposição a ele alega que ele concretiza a segregação social e incitá-la ainda mais ao ódio.
Mudando a disposição espacial, a forma de perceber dos indivíduos é forçada a ser alterada. Proibir a construção de muros é uma forma de fazer com que as pessoas da elite se vejam afetadas e obrigadas a um engajamento social, lutando por seus interesses, os quais, no fundo, são os de todos, como, por exemplo, a paz.
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