sábado, 7 de janeiro de 2012

FLUIDOS DA FRONTEIRA (Border fluids/Fluides de la frontière)

POSADAS/ENCARNACIÓN

Mensagem acima presente na aduana de Posadas, Argentina.
"Las Malvinas son argentinas" (as Malvinas são argentinas) é a primeira e mais impactante mensagem que se observa logo na entrada no país na cidade de Posadas.
Nota-se que a ferida ainda não foi cicatrizada. Construir uma consciência coletiva acerca de uma ideia é crucial para que qualquer causa dê certo, leia-se a importância do fator cultural na queda do império soviético e ascensão definitiva do império capitalista-estadunidense.

'Las Malvinas son argentinas' (The Falklands are Argentinian) is the first message and maybe the most impactant one we find in the entrance of the city of Posadas.
The lost of the fight for the Falklands were not overcome. To form a local and perhaps a global consciousness about the idea is crucial for any movement. The example that proves it is the importance of the cultural factor to make the collapse of the Sovietic Union and absolut ascension of the Capitalism North-American Impire.

"Las Malvinas son argentinas" (Les Îles Malouines sont argentines) est la première phrase e laquelle donne le plus grand impacte à celles qui rentrent au pays a travers de la ville de Posadas.
On peut observer que la défaite pour le Royaume Uni n'a pas été surmonté. Construire une conscience colective sur une idée est fondamentelle pour qui ça se matérialise. Pour confirmer ça, il faut seulement nous rappeller de l'importance du facteur culturelle dans le recul de l'URSS et l'avance de l'empoir capitaliste-americain.
Restrição na praia da Costanera.
Você já viu uma praia em que não é possível se banhar? Não, isso não é coisa de Chaves. Isso é Posadas, na Argentina. A mensagem da prefeitura é sempre a recorrente proibição do banho no local. Não há salva-vidas e a água, segundo o portal Antena Misiones, não oferece condições que se adequem aos parâmetros de qualidade para banho humano. Então, os posadeños a aproveitam mesmo para pegar uma cor bronzeada.
Have you ever seen a beach where we can't get in the water? That is in Posadas. The prefecture always says that it is not allowed to do in the place. There are no lifeguards and the water, as the Antena Misiones says, is not appropriate to humans in relation to the necessary quality parameters.

Vous avez déjà vu une plage dans laquelle il n'est pas possible de se bagner? Ça, c'est possible à Posadas, en Argentine. Le message de la préfecture est claire: se bagner lá-bas est prohibit. Selon Antena Misiones, l'eau n'offris la qualité nécessaire pour des bains. Malgré ça, les posadeños profite la situation en prennant un bain de soleil.

Eu, perto de um restaurante em que se apresentava um saxofonista em plena calçada.
Apresentação de piano na rua é algo possível de ser encontrado em estação de metrô de São Paulo. Mas, na Argentina, não é preciso estar em uma cidade tão grande pra curtir o requinte do som de um bom saxofone.
Piano plays are something we can find in a São Paulo subway station. But, in Argentine, it is not necessary to be in a so huge city to enjoy the wonderful sound of a saxophone.

Une présentation de piano à la rue est possible de se voir dans une station de metrô à São Paulo. Mais, en Argentine, il n'est pas nécessaire être dans une ville si grand pour avoir le privilège d'écouter le son d'un saxophone.
Cidadão com seu notebook na calçada da rua Bolívar.
Muitas vezes, com cara de Europa, se investiga suas origens, não é difícil entender por quê. A população da cidade e da província de Misiones, como um todo, é composta por imigrantes europeus que vieram para o Brasil no século XIX. São alemães, italianos, ucranianos e poloneses. No século XX, teve-se uma massiva migração de paraguaios para a região, buscando uma vida melhor. Isso faz dessa gente, algo diferente de toda a Argentina e do Uruguai.
So many times, we find there an European appearance. If we search the history of the Posadas population, we can understand why. European immigrantes that had come to Brazil habited the place. Germans, Italians, Ukrainians and Polishes. In the twentieth century, a massive immigration from Paraguayans, pursuiting a better way of life. In the end, Posadas has a different ethnic composition from all Argentina and Uruguay.

Dans beaucoup de fois, il est possible d'avoir l'impression d'être en Europe. Si on cherche l'histoire de la population de Posadas, nous pouvouns comprendre por quoi. Les immigrants européens venus du Brésil au siècle XIX ont habité la région. Allemandes, italiennes, ukrainiens et polonais. Au siècle XX, une massive immigration de paraguayans, en cherchant une vie plus digne. Au fin, Posadas a une composition etnique unique, e, par conséquence, differente de toute Argentine et, aussi, du Uruguay.



 
Meu pai em frente à catedral.

Como um bom país cristão, mesmo uma semana depois do natal, se pode ver como a cidade se preparou para a data.

As a christian country, one week after Christmas, we can see its elements through the streets.

Comme d'habitude pour un pays christian, les commémoration du nöel.
Carro antigo em Posadas.
Andando pelas ruas do centro, é possível encontrar relíquias como essa.

Walking through the downtown, we cand see a relic that.

En marchant pour les rues du centreville, c'est possible rencontrer reliques.
Meu pai olhando o fictício trem que representa algo marcante na história da cidade.
Uma ferrovia liga a cidade a Buenos Aires. Trata-se de cargas. Foi a ferrovia que contribuiu para a formação e crescimento da cidade.

A railway connects that city to Buenos Aires. It transports loads. It was something that contributed to Posadas growing.

Un chemin de fer connecte Posadas à Buenos Aires. Il porte de charges. Il a été responsable pour partie de la formation de la ville.
Eu, novamente, posando para fotos em frente ao Posadas Plaza Shopping.
O shopping, logo atrás, é uma das tentativas do governo de incrementar o turismo na cidade.

The shopping mall, behind me, is one of the attempts from the prefecture to improve the Posadas tourism.

Le centre commerciale, derrière moi, est une de les tentatives du gouvernement local pour améliorer le turisme.

Posando para fotos na Costanera.
Mas, a principal atração turística da cidade é mesmo a Costanera, uma espécie de calçadão que margeia o rio Paraná. Uma visão encantadora da natureza e da cidade, sendo que os dois se misturam.

However, the main tourist attraction from Posadas is the Costanera. It is a kind of sidewalk that is in the border of the Paraná river. An incredible panoramic vision from the city and from the river.

Mais, le principale attrait touristique de la ville est la Costanera, un type de trottoir qui est à la borde de la rivière Paraná. Belle, charmeuse... On peut voir la nature et la ville... La vérité, c'est que ce qu'on voie est le mix de ceux deux. 


Anúncio grudado no muro de uma obra da Costanera.

Eu, a Costanera e o Rio Paraná.
O Rio Paraná representa algo vital para a região, não é à toa que a navegação por aqui já foi algo da mais marcante guerra da América do Sul, a Guerra do Paraguai ou da Tríplice Aliança.

The Paraná River represents something vital to that region. That was for the biggest war from the history of South America, the Paraguay War or the Triple Alliance War.

Le rivière du Paraná represente un élément vital pour cette région. Une guèrre, celle du Paraguay ou de la Triple Alliance a été "produite" en fonction de cette rivière.

Minha família curtindo o encontro do céu e do rio em Posadas.

 Um pouco da arquitetura de constrastes.

A constrasting arthitecture.

Une architecture des "contrairements".


Dois lados de uma mesma moeda.
 Um contraste que se pode observar também do outro lado da fronteira, em Encarnación, no Paraguai. Vê-se uma favela na entrada da ponte que liga a cidade à Posadas.

A constrast we can also observe in the other side of the frontier, in Encarnación, Paraguay. In the photo, you see a slum in the entrance of the bridge that connects Encarnación to Posadas.

Un contrairement que nous pouvons observer à l'autre côté de la frontière, en Encarnación, au Paraguay. Dans la photo, vouz voyez a taudis au début du point que connecte cette ville à Encarnación.
 De Encarnación para Posadas, tem-se restrições um tanto estranhas na ponte de fronteira.

Strange restrictions in the frontier bridge from the Paraguayan side.

De Encarnación à Posadas, quelques restrictions étranges au point de frontière.
Uma beleza natural no lado paraguaio na fronteira, à margem do rio Paraná.


Um porto em Encarnación, visto desde a ponte.

Enquanto Posadas tem mais de 300 mil habitantes, Encarnación tem 146 mil. A migração paraguaia para o lado argentino vem cessando nos últimos anos. A prefeitura e o governo vem fazendo investimentos na cidade e, pela lógica, acredita-se que esses fatores tem feito com que a migração decaísse. Contudo, há quem não veja efeito nenhum dessas ações.

Posadas has 300 thousand inhabitants, while Encarnacion has 146 thousand. The Paraguayan migration to the Argentinian side has decreased during the last years. The prefecture and the government has made investments to improve the economy of that city. That is probably why the migration has decreased. Nevertheless, there are some people that do not feel the effects from those actions.

Posadas a des 300 mil habitants. Encarnación a 146 mil. L'immigration paraguayenne en direction au côté argentin a baissé pendant les dernières années. La préfecture et le gouvernement ont investi pour améliorer l'économie. Peut être que c'est à cause de ça que l'immigration a baissé. Mais, même comme ça, il y a beaucoup des gens qui ne sent pas les effets des ses investissements.

Posadas, Argentina.

 Território é e sempre foi coisa séria nessa região. A lição que se aprende com Posadas e com a Argentina é defender o que é seu.

Territory is and has always been something serious in that region. We can learn with Posadas and with Argentina that to defend what is yours is something vital.

Territoire est un thème sérieux dans cette région. Ce qui on apprend en Posadas et en Argentine, c'est deffendre ce qui est à toi.
Visão do balneário de Posadas.

O que achou dessa reportagem? Mande um e-mail para amembranapermeavel@live.com
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

CISNE NEGRO: TOC GRACIOSO

Foto de "Cisne Negro".
« Cisne Negro » é intensidade. De fato foi o filme que mais me impressionou até hoje. O grau de provocação que esta produção é capaz de produzir é impressionante.
A maneira como as cenas são mostradas já demonstra uma tendência dos filmes da contemporaneidade; a câmera documental. Para dar uma maior sensação de realidade, recorre-se a esse meio. O resultado da aplicação desse recurso no filme: uma constante sensação de desespero.
A separação dos dedos com seu intenso barulho, o sangue de quando Nina arranca um pedaço da epiderme de um dos dedos e a agressividade que suas feridas transparecem lembraram-me de Augusto dos Anjos.  O autor, pré-modernista, recorria a elementos que causam nojo no ser humano para refletir sobre suas atitudes e o que de fato a humanidade significava para ele.
Lembrei-me também de Clarice Lispector; modernista que sempre se dispunha de cenas simples e corriqueiras para falar das emoções e podres humanos. Estas lembranças ocorreram porque os arranhões, por exemplo, que Nina fazia em si mesma tinham um aspecto amedrontador, apesar de serem "apenas" arranhões... São ferimentos que, apesar de não tão horripilantes assim, causam tremendo espanto e demonstram o perturbado estado de espírito em que a personagem se encontra.
Numa locadora em São Paulo, na qual perguntei à atendente sobre o filme – eu pretendia assisti-lo com minhas primas, sendo que uma delas tem nove anos, ela me desaconselhou a levar, dizendo o seguinte: “é muito forte... A mulher é ‘mó’ perturbada... Ela se masturba (...)”. Ora, se ela quis construir uma relação de causa entre as duas coisas (ser perturbada pelo fato de se masturbar), pode estar profundamente enganada, dado que essa é uma prática natural na maior parte dos seres humanos. É lidar com o corpo e descobri-lo. Contudo, a masturbação da personagem é diferente. Ela demonstra estar bloqueada de medo, de receio em se tocar, de culpa, como se estivesse fazendo algo errado.
Revelar o que há por trás da beleza é algo importante numa sociedade que a cultua. Daí a imensa importância desse filme. O balé e as danças como um todo sempre nos trazem essa concepção de leveza e perfeição... Em “Cisne Negro”, percebe-se a respiração das personagens quando elas dançam. Elas respiram de modo intenso, o que raramente é perceptível numa apresentação ao vivo, já que a música, dentre outros fatores, ofusca esse detalhe.
Além do cansaço e do esforço produzidos por essa terna dança, através da personagem de Natalie Portman, percebe-se o inferno em que a vida pessoal dessas produções se transforma. Os graciosos movimentos ocultam a dor e os problemas em que os bailarinos se encontram. Mostra-se brilhantemente através de uma das falas da mãe numa referência ao personagem Cisne Negro (“filha, este papel está te matando”) até que ponto o homem é capaz de chegar para tentar se realizar. Por que Nina vivia buscava a perfeição? Quando ela aceita sair com a estranha “amiga”, rumo a uma noite de bebidas, sexo e drogas, o que estava buscando a garota? Parecia uma contradição, pois a segunda atitude destoa da imagem de uma menina perfeita.
O que dizer sobre sua esquizofrenia?  É um reflexo do que é a arte? Foi preciso chegar ao máximo de seu estágio para que se enxergasse como um cisne negro no espetáculo?
No bloco final do filme, durante o espetáculo, ela acaba projetando a “amiga”, que quer roubar seu papel, na concepção dela, e a mata. Esconde seu corpo e se sente poderosa. Seu treinador lhe
dissera nos ensaios que a única que lhe poderia tirar de onde estava seria ela mesma. Mais tarde, ao final de um ato, aquela amiga vem até seu camarim para lhe parabenizar. Ela então descobre que era uma projeção o que havia matado. Ela teria matado aquela que a perturbava, a outra de si? No fim da produção, o espectador não quer aceitar uma realidade; a de que, como a personagem que interpretava, Nina se matou. O olhar intenso da mãe em sintonia com o da filha comunicava uma despedida. O telespectador não quer aceitar essa possibilidade. Eu me peguei pensando que, posteriormente, ela iria para o hospital. No entanto, ela diz ao professor: eu consegui sentir. O que conseguiu sentir? A perfeição que buscava? A transformação no cisne? No libreto, o cisne negro se matava. Se ela atingiu a perfeição é porque deixou de ser humana, é porque não podia mais existir.
A função de « Cisne Negro » é levada a sério. A catarse; dar vazão às emoções humanas; fazer-nos sentir as sensações, pois sofremos junto com ela, a dor, a expectativa, a felicidade... Ainda mais se levado em conta o quão consegue-se identificar o espectador com a personagem. Fica a reflexão: Nina não refletiu um pouco do que todos somos? O que buscamos nos levará até onde ela chegou?


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O COMBUSTÍVEL DO HOMEM


Em época de encerramento de ano, talvez não haja tema tão bem aplicável à data quanto aquilo que move o homem... Diz-se que "a esperança é a última que morre". De fato, ela serve como elemento de motivação na vida do indivíduo, fazendo com que este, mesmo diante de obstáculos, mantenha-se forte. Entretanto, esse não é o quadro mais comum dentre as pessoas como um todo.
Diante de uma reprovação em algo que eu desejava muito, a decepção me cegou de inúmeras perspectivas que a vida oferecia e ainda oferece. Foi como se eu estivesse eliminando possibilidades por entender que só um caminho era válido para atingir minha então grande meta. Foi através de, dentre outros discursos, o de Içami Tiba, grande educador, que consegui me recompor e enxergar a imensidão da vida. Em uma citação dele, feita por minha tia, Rita, também grande educadora, que a motivação voltou a existir em mim: muitas vezes, insistimos em apenas uma porta quando outras estão se abrindo para nós.
Trata-se de um suporte que muitos não têm a oportunidade de ter e, por um somatório de fatores, acabam caindo na depressão.
Esta é catastroficamente prevista como a doença do século. Segundo a psicanalista Maria Rita Kehl, o depressivo não tem a perspectiva de um depois, da concretização futura de algo que deseja. A esperança é um elemento que falta em sua vida de modo que ele só vive – se é que esse termo pode ser aplicado – o presente, sem IMAGINAR um depois.
É nessas situações que se entende a importância da interação entre estes três fatores: a imaginação, a esperança e a consequência dos dois, a motivação.
Viver sem imaginar é viver por viver, segundo as palavras de alguns ditos ex-depressivos. A criança constrói seu mundo fascinante através da imaginação. O que seria da humanidade se alguém não tivesse imaginado o homem rompendo a fronteira da Terra com o espaço? Ou se alguém não estivesse motivado a entender os elementos da terra, quando, mais tarde, a tecnologia do raio X se tornou tão útil para assegurar a saúde humana?
Por experiência própria pude ver que qualquer discurso lógico e que toda a razão acumulada ao longo de uma vida não têm validade nenhuma se um elemento não estiver estruturado: a esperança, a base de toda a cognição e ação humana.
Para abdicar da obstrução causada por uma decepção da qual minha percepção foi vítima foi necessário desprender-me de preconceitos e talvez seja isso o que falta nessa humanidade que caminha para a deprimência.
Hoje, lembro de algumas piadas de colegas meus e discordo de suas palavras. Dizem eles: “a esperança é a primeira que morre”. Reluto em acreditar que estejam certos. Se, de fato, isso fosse verdade, duvido muito que alguém ainda atingisse uma conquista, que alguém ainda tentasse alguma coisa na face da Terra. Recordo-me que ao ler “Rumo ao infinito”, de Salvador Nogueira, a parte que julguei mais interessante foi (em referência à exploração espacial): “ o que Krugman sugere já está sendo feito, mas do único jeito possível – arriscando e aprendendo com os erros”. Para a tecnologia espacial dar certo, o único jeito é tentar. Foi essa a ideia defendida no trecho... O que parecebe óbvio demais, mas é genial! Daí, a improcedência, no meu ponto de vista, do discurso de meus colegas: se há gente tentando é porque a esperança, de fato, ainda não morreu, pois para tentar é imprecindível que ela exista.

A VOCÊ, UM NOVO ANO OU UM NOVO PERÍODO DE ESPERANÇA, POIS ELA PODE SER O SENTIDO DA VIDA!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

VESTIBULAR: INADIMPLÊNCIA NA DEMOCRACIA


Crucificação. Émile Nolde. 1912.

Final de ano é época de acontecimento dos principais concursos públicos através dos quais muitos estudantes são submetidos para ingressar nas universidades brasileiras, o sistema vestibular. Instituído a partir da ditadura militar, ele é dotado de uma série de vantagens e benefícios que podem determinar o rumo da vida de um estudante e ajudar a construir um grande cidadão. No entanto, é bem possível que seus aspectos negativos, por mais que em menor número, superem todos os positivos.
Ansiedade talvez seja a palavra que defina essa fase da vida de muitos estudantes. Afinal, os resultados,  na maior parte dos casos, demoram muito para ser divulgados, chegando a levar até 3 meses depois das provas para sua divulgação. É o caso, por exemplo, das públicas de São Paulo, da UEL e do ENEM.
Lidar bem com essa sensação no mundo globalizado contemporâneo é de vital importância para manter um nível estável de equilíbrio psicológico e social, dadas as pressões da família, da escola, do trabalho, da universidade, do parceiro amoroso, etc. Assim, o vestibulando já está sendo acostumado a trabalhar com ela desde cedo.
Além do mais, disciplinas como a matemática dão lições que são úteis para toda a vida, como a de que para atingir o êxito, não há outro caminho senão o esforço. É nesta concepção que embarca o vestibular, refletindo algumas concepções capitalistas como, por exemplo, a meritocracia. Isto é, há um número determinado de vagas e conquistarão as vagas os estudantes que merecerem-nas. É um reflexo da vida, pois a vida compõe o sistema capitalista. A princípio o discurso parece muito são. O problema é que o ensino gratuito foi uma conquista da Revolução Francesa e esta lançou a ideia de que este deveria ser um direito de todos, o que não condiz com a realidade atual brasileira, em que "só os sete melhores poderão cursar Medicina na universidade tal". Como dizer que outros candidatos muito bons, que desenvolveram uma série de habilidades, não têm direito de cursar seu sonho naquela instituição?
É um verdadeiro absurdo o ponto a que chegam os estudantes. Eles vão ao ponto de desejar que os concorrentes vão mal, ou faltem, para que conquistem suas respectivas vagas. Então, poder-se-ia dizer: ué? Na vida será assim, alguns conquistarão seus objetivos e outros não. No entanto, como pode alguém desejar que o outro não exerça sua cidadania através de um direito que é o de estudar? Desse modo, o sistema vestibular está incrustrando nas "futuras" gerações o valor do egoísmo, associado ao individualismo do sistema capitalista. É a banalização de uma injustiça.
Injustiça porque, anteriormente à instituição desse modo de seleção proposto pelo governo Costa e Silva, era estabelecida uma nota à qual, em determinado curso, os estudantes deveriam chegar ou superar. Se 200 estudantes o fizessem e só houvesse 50 vagas, outras 150 vagas teriam que ser criadas. Como tal, a busca pela excelência acontecia do mesmo modo, em detrimento do que ocorre na atualidade, em que, talvez no lugar de buscar a excelência, na verdade, busque-se ser o melhor.
O vestibular, com a lembrança de que no mundo existe uma enorme concorrência, acaba não transmitindo ao ensino brasileiro sua essência em todos os cursos. Uma série de habilidades têm que ser desenvolvidas para conquistar uma vaga em Direito, o que não é tão necessário para fazê-lo em relação ao curso de Pedagogia. Dessa forma, está-se acostumando os estudantes a ver com preconceito determinadas áreas do conhecimento, dado que todas elas são igualmente importantes. E então, vem a reflexão: como se pode falar em desenvolvimento num país em que desde o início da carreira acadêmica, os futuros professores são vistos com preconceito e tem seu potencial subexplorado? A tarefa da educação fica em segundo plano de concorrência, de habilidades e de perspectivas. Assim, igualdade social ou redução da desigualdade social parece ser prolongadamente um tema utópico.
Sobre o grau de exclusão que ele abarca, não há dúvidas de que é mesmo a elite ou uma parte muito pequena dos estudantes que recebe um verdadeiro incentivo no mundo do estudo... Estudantes de escolas públicas dificilmente serão aprovados... Muitos serão desclassificados, já que o foco da educação naquele lugar é outro, entende o próprio vestibular como algo que não faz parte de sua realidade. É uma mistura de concepções sociais e pessoais de educação. Foi em meio a à "descoberta" dessa situação, de que o aluno da escola pública nem cogitava estudar um dia na USP, que esta universidade decidiu implantar o INCLUSP, um programa que visa à inclusão social dando um bônus de nota aos alunos que vêm do ensino gratuito. Dessa forma, estar-se-á aproximando aquele da concepção de uma universidade de peso, como a Universidade de São Paulo. Talvez assim, uma mudança aconteça a passos lentos, mas muito lentos, partindo do trabalho de  alguns professores que, na verdade, já faziam, de certa forma, esse trabalho. É então que se vê nas cotas e nos bônus a tentativa de compensar essa discrepância social. Vê-se na política uma certa indisposição em disponibilizar verbas para o aumento de vagas. Na Estadual de Ponta Grossa, em Jornalismo de concorrência universal (o termo é engraçado pois dá a impressão de que os cotistas não fazem parte do universo), há apenas 9 vagas. Em Medicina, há 7.
Extinguir o sistema vestibular é visto por muitos como algo radical. Mas, na Argentina ele não existe. Basta ter RG e ter concluído o ensino médio para iniciar o superior. Não é por isso que sua qualidade seja inferior, dado que a Universidad de Buenos Aires é uma das melhores da América Latina. Pode-se dizer que haveria um desperdício muito grande frente ao provável grande número de desistências que ocorreriam ao longo do curso, já que um número grande de vagas teria sido criado, quando mais tarde elas foram desocupadas. Porém, seria correto chamar assim, de "desperdício", oferecer um direito de forma mais ampla? Seria o preço a se pagar pela democracia.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CORRESPONSÁVEIS PELO DISTÚRBIO (Sharing the guilt)

Mais de setenta milhões de pessoas no mundo sofrem de transtornos alimentares, sendo, na maior parte dos casos, a anorexia e a bulimia as enfermidades que acometem esses indivíduos. No caso da anorexia, trata-se de um distúrbio principalmente psicológico através do qual a pessoa não consegue enxergar no espelho o seu real corpo. O que ela vê é uma silhueta maior do que a que tem.
A atriz e cantora mexicana Anahí foi acometida pelo mal há alguns anos até quase perder a vida, o que a coercitivamente fez mudar de rumo. Em entrevista ao National Geographic, expressa um medo por uma realidade assustadora: a disponibilidade de "informações" que têm esses "enfermos" pela Internet. O termo destacado reflete as "dicas" disponíveis na rede em blogs que podem ser facilmente encontrados no Google, por exemplo.
Num dos primeiros links da busca por "ana" e "mia", http://anamia2007.blogspot.com/2007/09/manual-das-50-dicas-bsicas-da-mia.html, vê-se uma lista inacreditável de "conselhos" para emagrecer, os quais refletem fielmente o espírito da doença; uma obsessão por um corpo mais magro. As dicas vão de estragar a comida com bastante sal, por exemplo, e sentar com uma postura ereta, o que, segundo o blog, consome mais calorias, até andar com as nádegas contraídas, o que, ainda segundo o site, também consome muitas calorias. No blog, pode-se ler:  "(...) obesidade é horrível e gordos são inúteis lembre-se disso (...) aprende a gostar da sensação de vazio no estômago (...) observa as outras pessoas, especialmente gordos (as), quando estiverem a comer, e sinta-se superior por não estar comendo nada e ter seu corpo limpo (...)". O que se pode ver é um verdadeiro discurso de hipnose e lavagem cerebral na mente do anoréxico, que já se encontra, segundo Anahí, num "labirinto". O mais surpreendente ainda é o grau de alienação em que se encontram as pessoas que agradecem pela postagem e que se sentem ainda mais motivadas a seguir na anorexia.
É chocante ver os corpos como eles, de fato, se apresentam nessas "vítimas". Destaca-se o último termo porque, de fato, são pessoas atingidas por um terrível mal, mas elas também não podem ser entendidas como meros fantoches da sociedade, ainda que esta exerça tamanha influência no comportamento dos indivíduos. É preciso reconhecer que é a vontade o principal fator de condução das ações do homem. Se alguém quiser que ele mude, é preciso que ele aceite a mudança, senão, nada feito. Portanto, é preciso reconhecer que ele tem responsabilidade nessas escolhas.
Entretanto, as escolhas realmente não são feitas apenas por ele e todos são culpados também pela ocorrência desses transtornos alimentares, reforçando o peso que a busca pelo ideal de beleza tem na sociedade. Quando uma pessoa compra uma revista que visa à boa forma, não saindo desse âmbito ao decorrer das páginas, está alimentando a busca social pelo corpo perfeito. Como toda dose possui seus efeitos colaterais, o culto excessivo da sociedade à beleza produz como consequências esses casos, que refletem o vício social, que, como todo vício, não é saudável e precisa ser eliminado.
Para que a pessoa chegue a fazer as escolhas mencionadas, é porque seu grau de maturidade está abalado. Além de cada membro da sociedade se conscientizar de suas escolhas, é preciso que os problemas familiares estruturais que fragilizam o enfermo sejam drasticamente reduzidos. Isso se dá com uma criação baseada numa educação sólida, sempre aliada à observação atenta do que se diz a um filho e de que atitudes se toma. Na maior parte das vezes, estas desencadeiam desejos de se prender, de não ser afetado e de não afetar.

More than seventy million people in the world suffer from feed disorder. Most part of the cases are from people who are affected by anorexy or bulimia. Anorexy is a mainly psychological trouble that creates a situation in what a person can not see his/her real body. It is common to see it fatter than it really is. 
The singer and actress Anahí suffered of this sickness some years ago until the moment she almost lost her life. In 8 seconds, her heart stopped and when it returned to function, a new Anahí was born. During an interview for National Geographic Channel, she mentioned the great accessibility to information as something that worries her. Searching by Google the words ana" and "lily", it is possible to find a vast number of pages giving "tips" to get "thiner", stimulating those ones who are anorexic or want to get in. In portuguese, http://anamia2007.blogspot.com/2007/09/manual-das-50-dicas-bsicas-da-mia.html, this blog exemplifies it, creating an atmosphere of prejudice in relation to fat people, stimulating narcissism and making a kind of hypnosis in the person mind, someone who, as Anahí says, is lost in a maze. It is surprising that people who access this website can thank for the posts, saying they feel more motivated to go on with this.
It is shocking to see how the bodies of these "victims" are. Victims is between inverted commas in order to emphasize that they cannot be seen only as strictly vulnerable people or something society manipulates. In fact, it makes a strong influence, but it its necessary to focus on the main factor of leading the human actions: the willness. If someone wants that the person change, he/she should accept the change. So, it is crucial to recognize responsability people have on their chooses.
Nevertheless, chooses are not made only by them. Everybody is, in a different way, guilty of the occurence of these disorders, reinforcing the value of the beauty pursuit. When a person buys a magazine that is aimed at "being fit", not leaving this domain, he/she is stimulating this social pursuit of the "perfect" body. As every excessive dose has a collateral effect, the excessive beauty cult produces consequences as these cases, something that reflects a society addiction. Every addiction is not healthy and, then, needs to be eliminated. A person that makes the kinds of choose mentioned is likely in a bad stage of immaturity. Besides the necessity of each member of the society get conscious of his/her chooses it is important to reduce family structural problems. They weaken the sick. It is possible to achieve through a consistent education, allied to a strong observation of what is said to a son, to a daughter, what is transmitted to him/her/them. In most part of the cases, the actitudes taken initiate wilnesses of getting a prisoner, not afecting and not to be affected.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

CAPITÃES "DE" AREIA DO CINEMA (Capitães of sand from the cinema)

A nova versão cinematográfica de "Capitães da Areia", atualmente em cartaz Brasil adentro,  representa o papel das artes visuais que qualquer outra forma de representação artística desempenha na sociedade; o de provocar sensações, além, é claro, no caso específico dessa obra, o de aproximar a sociedade dos clássicos literários. Muitas vezes, a linguagem literária, por ser mais complexa, acaba impedindo a visualização de seu conteúdo por parte do indivíduo e sua provocação nele, servindo o filme como uma luva para o objetivo da arte, o de provocação.
Entretanto, alguns problemas apresentados pelo filme refletem uma certa deficiência no cinema brasileiro, o que não se justifica apenas com menos verba para produção, dado que filmes como "Tropa de Elite", "Cidade de Deus" e "Central do Brasil" apresentam altíssima qualidade e também se enquadram em um orçamento pequeno, quando comparado às produções norte-americanas. Um exemplo da deficiência mostrada é a questão da caracterização dos personagens. Em muitas situações, eles aparecem com unhas limpas, o que é contraditório com a realidade da rua e da cidade de Salvador dos anos 30. A direção de prosódia também se mostrou bastante problemática, visto que muitos atores deixaram transparecer seu sotaque carioca e poucos pareciam falar como soteropolitanos.
A questão da fala se mostrou complicada também quando, em várias cenas, notava-se uma pronúncia num nível de correção que não corresponde à vida suburbana ou periférica.
A direção do filme pecou ao deixar ir ao ar cenas em que se vê falas muito "marcadas". Isto é, ficou evidente, por exemplo, numa cena de conversa entre os meninos, que se tratava de uma ficção, que eles eram atores e estavam representando uma conversa, pois as falas se mostravam pausadamente artificiais.
Alguns detalhes chamam a atenção, como a mudança no filme de características físicas de algumas personagens; Dora, na obra de Jorge Amado, é apresentada como loira e no filme aparece morena. O mesmo caso é o de Gato, que no livro é loiro, de olhos claros, e no cinema é mostrado negro. Por sinal, o ator que o interpreta o traz de uma maneira até inocente e, portanto, de forma incoerente com o "malandro conquistador" que é apresentado no livro. A incoerência também se mostra quanto à atuação de Jean Luis Amorim, o intérprete de Pedro Bala, que não consegue transparecer a liderança e a consistência da personalidade da personagem, a qual demonstrar um certo ar de "manhoso" - é a impressão que tive.
A versão cinematográfica do clássico de Jorge Amado, talvez pela limitação do tempo, não consegue apresentar a grandeza de algumas cenas da obra; como a do carrossel - fundamental para a compreensão do que há por trás dos capitães - e de cenas como as em que Dora aparece. No livro, ela é mostrada como uma verdadeira mãe para os capitães, de forma grandiosa, com um carinho que repercute em todos, o que não ocorre no filme, no qual a ênfase maior é no "triângulo amoroso" entre ela, professor e Pedro Bala. O pânico da "bexiga" também se viu limitado no filme, o que mostra a importância dos detalhes na literatura para dar a dimensão da cena para o leitor.
A trilha sonora é um ponto a favor da produção, moderna e provocativa, a qual me deixou sensibilizado no início do filme ao recordar o futuro de Dora, a morte. As versões mixadas e contemporâneas de músicas bahianas envolvem e agradam o telespectador.
O logotipo que aparece no fim do filme também atesta para um detalhe que faz toda a diferença: aparece sublinhado o termo "da", reforçando que são capitães "da areia" e não "de areia", que são coisas bastante diferentes.
Um detalhe importante a ser observado é a contraditoriedade que constitui os seres humanos. No filme e no livro, determinadas cenas emocionam o leitor (o espectador também é um leitor), como, por exemplo, a cena em que Pedro Bala retorna da delegacia com um elemento que havia sido apreendido do terreiro. Isto é, o leitor se emociona com a ficção, mas, perante a realidade, a dos meninos moradores de rua, geralmente apresenta indiferença. Pela reflexão causada, valeu à pena a produção do filme e o que espero é que seja um sucesso de bilheteria, de modo a estimular a produção cinematográfica de outros clássicos da literatura brasileira e mundial.

The new cinematographic version of Capitães da Areia reflects the art role in the society, to cause a sensation and, in this case, to approach the spectator to literature classics. In general, the literature langue is more complex, blocking a consistent understanding of the content and in consequence of this not causing him/her a provocation.
Nevertheless, some problems shown in the movie sign weaknesses the Brazilian cinema has, something that is not exactly justified just by an economic question... As we can see, there are some movies from Brazil that were excellent productions such as Tropa de Elite, Central do Brasil and Cidade de Deus, someones which had little budgets in comparison to North American productions. An example of a problem the film had is the costume and appearance in general about the characters... The Capitães had clean nails, something that is inconsistent to the place, the time (thirties) and to the style of life they have (living on the street). The prosody direction was really problematic; during so many times, it is possible to realize Rio de Janeiro accents, despite the fact that the characters and the scenary is Salvador, Bahia. In most part of the cases, the accents were from Rio de Janeiro and did not seem to be from Bahia.
Other problem related to the language we can see is that the pronunciation of the words, some times, is too correct in comparison to a real suburbain way of talking.
The direction permitted that scenes that made the spectator see an amateur way of acting went on air. In a boys talking, it was possible to observe it was a fiction and that the boys were acting, something unnatural, the speaking were very paused.
The movie, an adaptation from the book, shows some interesting details; Dora, in Jorge Amado book, is a blond girl and in the movie she is brunette. Beyond this, Gato, in the book is presented as a light-eyed blond boy. In the movie, he is dark-skinned. The actor who interpretates him does it in a naive way e, then, inconsistent to the personality the book presents, someone who is smart, wooed... This kind of insconsistency happens to the interpretation of Pedro Bala. Jean Luis Amorim does not acchieve the leadership characteristic the role requires. The impression I had about him is that the way he interpretated the character signed to a sly boy.
The cinematographic version from the Jorge Amado classic, maybe because of the time limit, does not reach the epic style from some scenes like the one the boys are on the carousel. Or the mother way Dora should have shown. In the book, the she takes care of almost everybody... But in the movie, the focus is on the love triangle compound by Dora, Pedro Bala and Professor. The panic came from the bexiga (the way of people from Bahia in that time) is not so evident in the film and it shows the importance of the details in the literature to make possible to get a sense of a scene.
The soundtrack is a positive point from this cinema production, it was instigator... Something that made me almost cry, remembering of end of Dora. The mixed and remixed version of songs from Bahia involve and give energy to the spectator.
The logo that is shown in the end of the film shows an little and very important detail: the term "da" (of the) sand instead of "de" (of) sand is underlined, emphasizing the fact they are leaders from the sand and possibly not made by it (a weak conjunct of grains)...
An important detail that we can observe is the paradoxality that compounds the humans. In both cases of the movie and the film, some scenes get the reader (the spectator is also a reader) emotioned, as, for example, the scene when Pedro Bala comes back from the police whit a religious object sized by the policemen and he is congratulated and hugged by all the members of the group of the Capitães da Areia.