Em época de encerramento de
ano, talvez não haja tema tão bem aplicável à data quanto aquilo que move o
homem... Diz-se que "a esperança
é a última que morre". De fato, ela serve como elemento de motivação na
vida do indivíduo, fazendo com que este, mesmo diante de obstáculos,
mantenha-se forte. Entretanto, esse não é o quadro mais comum dentre as pessoas
como um todo.
Diante de uma reprovação em
algo que eu desejava muito, a decepção me cegou de inúmeras perspectivas que a
vida oferecia e ainda oferece. Foi como se eu estivesse eliminando
possibilidades por entender que só um caminho era válido para atingir minha
então grande meta. Foi através de, dentre outros discursos, o de Içami Tiba,
grande educador, que consegui me recompor e enxergar a imensidão da vida. Em
uma citação dele, feita por minha tia, Rita, também grande educadora, que a
motivação voltou a existir em mim: muitas vezes, insistimos em apenas uma porta
quando outras estão se abrindo para nós.
Trata-se de um suporte que
muitos não têm a oportunidade de ter e, por um somatório de fatores, acabam
caindo na depressão.
Esta é catastroficamente
prevista como a doença do século. Segundo a psicanalista Maria Rita Kehl, o
depressivo não tem a perspectiva de um depois, da concretização futura de algo
que deseja. A esperança é um elemento que falta em sua vida de modo que ele só
vive – se é que esse termo pode ser aplicado – o presente, sem IMAGINAR um
depois.
É nessas situações que se
entende a importância da interação entre estes três fatores: a imaginação, a
esperança e a consequência dos dois, a motivação.
Viver sem imaginar é viver
por viver, segundo as palavras de alguns ditos ex-depressivos. A criança
constrói seu mundo fascinante através da imaginação. O que seria da humanidade se
alguém não tivesse imaginado o homem rompendo a fronteira da Terra com o
espaço? Ou se alguém não estivesse motivado a entender os elementos da terra, quando,
mais tarde, a tecnologia do raio X se tornou tão útil para assegurar a saúde
humana?
Por experiência própria
pude ver que qualquer discurso lógico e que toda a razão acumulada ao longo de
uma vida não têm validade nenhuma se um elemento não estiver estruturado: a
esperança, a base de toda a cognição e ação humana.
Para abdicar da obstrução
causada por uma decepção da qual minha percepção foi vítima foi necessário
desprender-me de preconceitos e talvez seja isso o que falta nessa humanidade
que caminha para a deprimência.
Hoje, lembro de algumas
piadas de colegas meus e discordo de suas palavras. Dizem eles: “a esperança é
a primeira que morre”. Reluto em acreditar que estejam certos. Se, de fato,
isso fosse verdade, duvido muito que alguém ainda atingisse uma conquista, que
alguém ainda tentasse alguma coisa na face da Terra. Recordo-me que ao ler
“Rumo ao infinito”, de Salvador Nogueira, a parte que julguei mais interessante
foi (em referência à exploração espacial): “ o que Krugman sugere já está sendo
feito, mas do único jeito possível – arriscando
e aprendendo com os erros”. Para a tecnologia espacial dar certo, o único jeito
é tentar. Foi essa a ideia defendida no trecho... O que parecebe óbvio demais, mas é genial! Daí, a improcedência, no meu ponto de vista, do discurso de meus
colegas: se há gente tentando é porque a esperança, de fato, ainda não morreu,
pois para tentar é imprecindível que ela exista.