quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CORRESPONSÁVEIS PELO DISTÚRBIO (Sharing the guilt)

Mais de setenta milhões de pessoas no mundo sofrem de transtornos alimentares, sendo, na maior parte dos casos, a anorexia e a bulimia as enfermidades que acometem esses indivíduos. No caso da anorexia, trata-se de um distúrbio principalmente psicológico através do qual a pessoa não consegue enxergar no espelho o seu real corpo. O que ela vê é uma silhueta maior do que a que tem.
A atriz e cantora mexicana Anahí foi acometida pelo mal há alguns anos até quase perder a vida, o que a coercitivamente fez mudar de rumo. Em entrevista ao National Geographic, expressa um medo por uma realidade assustadora: a disponibilidade de "informações" que têm esses "enfermos" pela Internet. O termo destacado reflete as "dicas" disponíveis na rede em blogs que podem ser facilmente encontrados no Google, por exemplo.
Num dos primeiros links da busca por "ana" e "mia", http://anamia2007.blogspot.com/2007/09/manual-das-50-dicas-bsicas-da-mia.html, vê-se uma lista inacreditável de "conselhos" para emagrecer, os quais refletem fielmente o espírito da doença; uma obsessão por um corpo mais magro. As dicas vão de estragar a comida com bastante sal, por exemplo, e sentar com uma postura ereta, o que, segundo o blog, consome mais calorias, até andar com as nádegas contraídas, o que, ainda segundo o site, também consome muitas calorias. No blog, pode-se ler:  "(...) obesidade é horrível e gordos são inúteis lembre-se disso (...) aprende a gostar da sensação de vazio no estômago (...) observa as outras pessoas, especialmente gordos (as), quando estiverem a comer, e sinta-se superior por não estar comendo nada e ter seu corpo limpo (...)". O que se pode ver é um verdadeiro discurso de hipnose e lavagem cerebral na mente do anoréxico, que já se encontra, segundo Anahí, num "labirinto". O mais surpreendente ainda é o grau de alienação em que se encontram as pessoas que agradecem pela postagem e que se sentem ainda mais motivadas a seguir na anorexia.
É chocante ver os corpos como eles, de fato, se apresentam nessas "vítimas". Destaca-se o último termo porque, de fato, são pessoas atingidas por um terrível mal, mas elas também não podem ser entendidas como meros fantoches da sociedade, ainda que esta exerça tamanha influência no comportamento dos indivíduos. É preciso reconhecer que é a vontade o principal fator de condução das ações do homem. Se alguém quiser que ele mude, é preciso que ele aceite a mudança, senão, nada feito. Portanto, é preciso reconhecer que ele tem responsabilidade nessas escolhas.
Entretanto, as escolhas realmente não são feitas apenas por ele e todos são culpados também pela ocorrência desses transtornos alimentares, reforçando o peso que a busca pelo ideal de beleza tem na sociedade. Quando uma pessoa compra uma revista que visa à boa forma, não saindo desse âmbito ao decorrer das páginas, está alimentando a busca social pelo corpo perfeito. Como toda dose possui seus efeitos colaterais, o culto excessivo da sociedade à beleza produz como consequências esses casos, que refletem o vício social, que, como todo vício, não é saudável e precisa ser eliminado.
Para que a pessoa chegue a fazer as escolhas mencionadas, é porque seu grau de maturidade está abalado. Além de cada membro da sociedade se conscientizar de suas escolhas, é preciso que os problemas familiares estruturais que fragilizam o enfermo sejam drasticamente reduzidos. Isso se dá com uma criação baseada numa educação sólida, sempre aliada à observação atenta do que se diz a um filho e de que atitudes se toma. Na maior parte das vezes, estas desencadeiam desejos de se prender, de não ser afetado e de não afetar.

More than seventy million people in the world suffer from feed disorder. Most part of the cases are from people who are affected by anorexy or bulimia. Anorexy is a mainly psychological trouble that creates a situation in what a person can not see his/her real body. It is common to see it fatter than it really is. 
The singer and actress Anahí suffered of this sickness some years ago until the moment she almost lost her life. In 8 seconds, her heart stopped and when it returned to function, a new Anahí was born. During an interview for National Geographic Channel, she mentioned the great accessibility to information as something that worries her. Searching by Google the words ana" and "lily", it is possible to find a vast number of pages giving "tips" to get "thiner", stimulating those ones who are anorexic or want to get in. In portuguese, http://anamia2007.blogspot.com/2007/09/manual-das-50-dicas-bsicas-da-mia.html, this blog exemplifies it, creating an atmosphere of prejudice in relation to fat people, stimulating narcissism and making a kind of hypnosis in the person mind, someone who, as Anahí says, is lost in a maze. It is surprising that people who access this website can thank for the posts, saying they feel more motivated to go on with this.
It is shocking to see how the bodies of these "victims" are. Victims is between inverted commas in order to emphasize that they cannot be seen only as strictly vulnerable people or something society manipulates. In fact, it makes a strong influence, but it its necessary to focus on the main factor of leading the human actions: the willness. If someone wants that the person change, he/she should accept the change. So, it is crucial to recognize responsability people have on their chooses.
Nevertheless, chooses are not made only by them. Everybody is, in a different way, guilty of the occurence of these disorders, reinforcing the value of the beauty pursuit. When a person buys a magazine that is aimed at "being fit", not leaving this domain, he/she is stimulating this social pursuit of the "perfect" body. As every excessive dose has a collateral effect, the excessive beauty cult produces consequences as these cases, something that reflects a society addiction. Every addiction is not healthy and, then, needs to be eliminated. A person that makes the kinds of choose mentioned is likely in a bad stage of immaturity. Besides the necessity of each member of the society get conscious of his/her chooses it is important to reduce family structural problems. They weaken the sick. It is possible to achieve through a consistent education, allied to a strong observation of what is said to a son, to a daughter, what is transmitted to him/her/them. In most part of the cases, the actitudes taken initiate wilnesses of getting a prisoner, not afecting and not to be affected.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

CAPITÃES "DE" AREIA DO CINEMA (Capitães of sand from the cinema)

A nova versão cinematográfica de "Capitães da Areia", atualmente em cartaz Brasil adentro,  representa o papel das artes visuais que qualquer outra forma de representação artística desempenha na sociedade; o de provocar sensações, além, é claro, no caso específico dessa obra, o de aproximar a sociedade dos clássicos literários. Muitas vezes, a linguagem literária, por ser mais complexa, acaba impedindo a visualização de seu conteúdo por parte do indivíduo e sua provocação nele, servindo o filme como uma luva para o objetivo da arte, o de provocação.
Entretanto, alguns problemas apresentados pelo filme refletem uma certa deficiência no cinema brasileiro, o que não se justifica apenas com menos verba para produção, dado que filmes como "Tropa de Elite", "Cidade de Deus" e "Central do Brasil" apresentam altíssima qualidade e também se enquadram em um orçamento pequeno, quando comparado às produções norte-americanas. Um exemplo da deficiência mostrada é a questão da caracterização dos personagens. Em muitas situações, eles aparecem com unhas limpas, o que é contraditório com a realidade da rua e da cidade de Salvador dos anos 30. A direção de prosódia também se mostrou bastante problemática, visto que muitos atores deixaram transparecer seu sotaque carioca e poucos pareciam falar como soteropolitanos.
A questão da fala se mostrou complicada também quando, em várias cenas, notava-se uma pronúncia num nível de correção que não corresponde à vida suburbana ou periférica.
A direção do filme pecou ao deixar ir ao ar cenas em que se vê falas muito "marcadas". Isto é, ficou evidente, por exemplo, numa cena de conversa entre os meninos, que se tratava de uma ficção, que eles eram atores e estavam representando uma conversa, pois as falas se mostravam pausadamente artificiais.
Alguns detalhes chamam a atenção, como a mudança no filme de características físicas de algumas personagens; Dora, na obra de Jorge Amado, é apresentada como loira e no filme aparece morena. O mesmo caso é o de Gato, que no livro é loiro, de olhos claros, e no cinema é mostrado negro. Por sinal, o ator que o interpreta o traz de uma maneira até inocente e, portanto, de forma incoerente com o "malandro conquistador" que é apresentado no livro. A incoerência também se mostra quanto à atuação de Jean Luis Amorim, o intérprete de Pedro Bala, que não consegue transparecer a liderança e a consistência da personalidade da personagem, a qual demonstrar um certo ar de "manhoso" - é a impressão que tive.
A versão cinematográfica do clássico de Jorge Amado, talvez pela limitação do tempo, não consegue apresentar a grandeza de algumas cenas da obra; como a do carrossel - fundamental para a compreensão do que há por trás dos capitães - e de cenas como as em que Dora aparece. No livro, ela é mostrada como uma verdadeira mãe para os capitães, de forma grandiosa, com um carinho que repercute em todos, o que não ocorre no filme, no qual a ênfase maior é no "triângulo amoroso" entre ela, professor e Pedro Bala. O pânico da "bexiga" também se viu limitado no filme, o que mostra a importância dos detalhes na literatura para dar a dimensão da cena para o leitor.
A trilha sonora é um ponto a favor da produção, moderna e provocativa, a qual me deixou sensibilizado no início do filme ao recordar o futuro de Dora, a morte. As versões mixadas e contemporâneas de músicas bahianas envolvem e agradam o telespectador.
O logotipo que aparece no fim do filme também atesta para um detalhe que faz toda a diferença: aparece sublinhado o termo "da", reforçando que são capitães "da areia" e não "de areia", que são coisas bastante diferentes.
Um detalhe importante a ser observado é a contraditoriedade que constitui os seres humanos. No filme e no livro, determinadas cenas emocionam o leitor (o espectador também é um leitor), como, por exemplo, a cena em que Pedro Bala retorna da delegacia com um elemento que havia sido apreendido do terreiro. Isto é, o leitor se emociona com a ficção, mas, perante a realidade, a dos meninos moradores de rua, geralmente apresenta indiferença. Pela reflexão causada, valeu à pena a produção do filme e o que espero é que seja um sucesso de bilheteria, de modo a estimular a produção cinematográfica de outros clássicos da literatura brasileira e mundial.

The new cinematographic version of Capitães da Areia reflects the art role in the society, to cause a sensation and, in this case, to approach the spectator to literature classics. In general, the literature langue is more complex, blocking a consistent understanding of the content and in consequence of this not causing him/her a provocation.
Nevertheless, some problems shown in the movie sign weaknesses the Brazilian cinema has, something that is not exactly justified just by an economic question... As we can see, there are some movies from Brazil that were excellent productions such as Tropa de Elite, Central do Brasil and Cidade de Deus, someones which had little budgets in comparison to North American productions. An example of a problem the film had is the costume and appearance in general about the characters... The Capitães had clean nails, something that is inconsistent to the place, the time (thirties) and to the style of life they have (living on the street). The prosody direction was really problematic; during so many times, it is possible to realize Rio de Janeiro accents, despite the fact that the characters and the scenary is Salvador, Bahia. In most part of the cases, the accents were from Rio de Janeiro and did not seem to be from Bahia.
Other problem related to the language we can see is that the pronunciation of the words, some times, is too correct in comparison to a real suburbain way of talking.
The direction permitted that scenes that made the spectator see an amateur way of acting went on air. In a boys talking, it was possible to observe it was a fiction and that the boys were acting, something unnatural, the speaking were very paused.
The movie, an adaptation from the book, shows some interesting details; Dora, in Jorge Amado book, is a blond girl and in the movie she is brunette. Beyond this, Gato, in the book is presented as a light-eyed blond boy. In the movie, he is dark-skinned. The actor who interpretates him does it in a naive way e, then, inconsistent to the personality the book presents, someone who is smart, wooed... This kind of insconsistency happens to the interpretation of Pedro Bala. Jean Luis Amorim does not acchieve the leadership characteristic the role requires. The impression I had about him is that the way he interpretated the character signed to a sly boy.
The cinematographic version from the Jorge Amado classic, maybe because of the time limit, does not reach the epic style from some scenes like the one the boys are on the carousel. Or the mother way Dora should have shown. In the book, the she takes care of almost everybody... But in the movie, the focus is on the love triangle compound by Dora, Pedro Bala and Professor. The panic came from the bexiga (the way of people from Bahia in that time) is not so evident in the film and it shows the importance of the details in the literature to make possible to get a sense of a scene.
The soundtrack is a positive point from this cinema production, it was instigator... Something that made me almost cry, remembering of end of Dora. The mixed and remixed version of songs from Bahia involve and give energy to the spectator.
The logo that is shown in the end of the film shows an little and very important detail: the term "da" (of the) sand instead of "de" (of) sand is underlined, emphasizing the fact they are leaders from the sand and possibly not made by it (a weak conjunct of grains)...
An important detail that we can observe is the paradoxality that compounds the humans. In both cases of the movie and the film, some scenes get the reader (the spectator is also a reader) emotioned, as, for example, the scene when Pedro Bala comes back from the police whit a religious object sized by the policemen and he is congratulated and hugged by all the members of the group of the Capitães da Areia.

sábado, 29 de outubro de 2011

OS AMPLOS SENTIDOS DA "DEMOCRACIA" (Other meanings of democracy)


Em meio à grande repercussão do novo escândalo do ENEM, o do "vazamento" de, a princípio, quatorze questões similares ou iguais às do exame, o que se observa é que um problema maior ainda parece ter passado despercebido frente aos olhos da sociedade e, principalmente, da crítica. O nível de dificuldade das questões da última edição da prova foi uma verdadeira catástrofe e alvo de poucas críticas na imprensa, o que, pela gravidade da situação, merecia igual atenção ao problema das questões vazadas.
Em entrevista à imprensa, foi muito comum ouvir da boca dos diretores um grande contentamento com o resultado até então obtido pelos alunos. Um contentamento que mostra que o exame teve um grande número de questões fáceis ou muito fáceis. A prova de Ciências Humanas requeria do aluno praticamente apenas a habilidade de leitura e compreensão de texto. De fato, o analfabetismo funcional é um problema que assola grande parte dos estudantes no Brasil, o que constrasta com os crescentes indicadores positivos da economia brasileira frente às crises, por exemplo.
Entretanto, exigir uma habilidade como essa deveria ser prática apenas das disciplinas destinadas à isso (língua estrangeira e língua portuguesa na parte de interpretação de texto). Do modo como é feito, os alunos que não sofrem desse mal, o analfabetismo funcional, terão a ideia de que Ciências Humanas são muito fáceis ou de que são muitos bons nisso, quando não necessariamente o são. O próprio exame já os está acostumando a ver com preconceito uma parte da Ciência. Como ela é feita por pessoas, não é muito difícil para essa prática se prolongar e se voltar para as pessoas que fazem essas Ciências... Ou se prolongar mesmo para qualquer tipo de pessoa.
Além disso, quando o aluno que não se esforçou para adquirir o conhecimento que deveria exigido nos exames a respeito das Humanidades e vai bem na prova, estar-se-á acostumando-o à ideia de que se pode obter o sucesso quase sem esforço algum. Implicita ou explicitamente esses valores acabam sendo internalizados, principalmente quando o preconceito em relação a essa parte da Ciência já são alimentados na mente estudantil ao longo de toda sua formação, frente a uma série de fatores.
O incentivo à preguiça por parte do exame continua quando a prova exige do aluno menos do que ele pode dar. Isso se manifesta quando as questões são de mera interpretação de texto, sem exigir maiores habilidades. O potencial do aluno acaba sendo subexplorado.
Outra grave problemática escondida pelas belas palavras veiculadas pelas propagandas do exame, financiadas pelos impostos da sociedade e protagonizadas por Carol Castro, é a injustiça embutida nas questões. Disse-se que o exame abordou atualidades, o que, em si, é uma grande mentira. O aluno que buscou estar antenado com os principais fatos e notícias da atualidade foi prejudicado. O que exemplifica essa situação foi a questão sobre a Primavera Árabe, cobrada na prova de Ciências Humanas e Suas "Tecnologias". Não era preciso saber o que ela significava e qual a influência da tecnologia em sua movimentação. Bastava ler o texto. Quem sabia acertou. Quem não sabia, também. E ainda o governo se atreve a usar o termo "democrático" no slogan do exame ("ENEM, o caminho mais democrático para o caminho superior no Brasil")?
Pode ser que aquele entende aquele termo de outra forma, mas não aquela prevista na constituição. Então, além tudo, a postura da propaganda é enganosa e, portanto, inconstitucional.
Como é que se pode falar em perspectivas desenvolvidas para o Brasil, sendo que já na educação, a sociedade já é acostumada ao subdesenvolvimento, à subexploração de seu potencial, à subestimação de sua inteligência e a um vasto conjunto de "subs"? Pelo que se pode notar, "Brasil, um país rico e sem miséria" não passa de hipocrisia, pois a geração construída nos atuais moldes educacionais dificilmente superará sua atual condição de ser.

In this context of a big repercussion of the scandal about 14 questions that were seen by a school before the national application of the exam, other element so or more serious than this seems to be forgotten or not realized by the society, in general, and by the critics. The level of difficulty from the questions was too low, something that sings it was a big catastrophe. It was not mentioned by the press. However, it deserves a big attention from everybody.
In interviews, it was common to hear schools directors saying that the students were very satisfied with their result. On the other hand, this happiness hided the so easy a big number of questions from the High School National Exam (ENEM, in Portuguese) were. Human Subjects, like History, Geography, Foreing Language, were too easy. They required from the student basically the capacity of understanding what he/she reads. In fact, functional illiteracy is a big problem a big range of students in Brazil suffers of, in the opposite side to the growing numbers Brazil economy shows.
Nevertheless, this kind of hability, applied the one it was done in the exam, would be a function of only some subjects, the ones prepared to, like Foreing Language or Portuguese (only in the part of comprehension test).
The way the exam is made, students that do not suffer from this problem would get an excellent result. But, what if they do not deserve to? What if a student that does not know basic information about History and gets almost the total posible grade? This is what exactly what happened. This way, they will get the prejudice that Human Sciences are easy. The exam is getting them used to see a kind of knowledge with prejudice... And after, to look people with it.
Besides it, when the student sees he/she does not need to make efforts to get the success (a total grade), the exam is leading him/her to laziness.
The incentive to laziness by the ENEM continues when to topic is knowledge potential. The student intelligence is underestimated and his/her learning potential underexplored so that he/she does not need to know something solid to get a good result in the exam.
Furthermore, the injustice is an ENEM value. It can be observed when students that studied, for example, world news during all the year gets Okay in a question... And someone that simply did not know what happened in the world during the same period gets Okay in the same question. A question about the Arabian Spring only required from the student to read and understand the text about it. The student did not have to know what it is. That means the question the student got right, the one who did not know anything got too. This is called injustice and the government dares to use the word "democratic" to define the ENEM in the campaign slogan (ENEM, the most democratic way to to get in the universities). The campaign is financed by taxes society pays and is starred by the actress Carol Castro.
It is possible if the government understand democracy as something different it is defined in the constitution. Then, the campaign is misleading and inconstitutional. How can the government talk about developped perspectives if it gets the society used to undevelopment educating the people to it? When the formal education underestimates the learning potential of the student, how can we wait the society overcames its condition of underveloped? Of As you can see, "Brazil, a rich and whitout poverty country is a big example of hypocrisy?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

OTIMISMO E INANIÇÃO


Na noite de ontem, temia que Meimei não viesse a acordar. Durante a madrugada, jamais esquecerei a cena em que acordo repentinamente a vejo próxima à porta do meu quarto me olhando... Seu olhar me amedrontava... Não, não pelo aspecto dela, que, em si era debilitado e comovente, mas frente ao que ele poderia significar.
Na manhã seguinte, Meimei está viva, porém continua tendo diarreias e hemorragia. Ela vomitara várias vezes durante a noite.
A medida tomada é ligar para o Centro de Zoonoses, pois o raciocínio usado é o seguinte: se a função do Centro é prevenir e tratar zoonoses, sofrendo Meimei de uma, é atribuição do Centro tratá-la, pois essa enfermidade, sendo altamente contagiosa, pode afetar o equilíbrio ambiental, contaminando outros animais, constituindo um mal à sociedade. Resultado: a atendente, através dos sintomas relatados por telefone, alega que o animal tem parvovirose. Ela diz que ele pode ser tratado em casa e que, contudo, há necessidade de orientações de um veterinário, coisa que o Centro de Zoonoses não pode fazer por aquele, já que sua atribuição quanto ao "resgate" de animais doentes é praticar a eutanásia.
Procuro as atribuições do Centro de Zoonoses via Internet. Descubro que não há uma regulamentação que uniformize os centros de zoonoses, os quais podem ser de responsabilidade municipal, estadual ou federal - nem nisso há uniformidade, o que em si já desorganiza o funcionamento conjunto das unidades.
Continuando a pesquisa, facilmente encontro em uma página disponibilizada na Internet pela prefeitura de Bauru, página esta que, por sinal, é bastante objetiva, que informa o que são zoonoses, qual o papel do Centro e, de forma bem concreta, quais não são suas atribuições. Lá está escrito que é função do centro fornecer avaliação veterinária em casos de suspeita de raiva ou leishmaniose, o que em si pode abarcar o caso de vários cães (inclusive o de Meimei). No documento, lê-se que não é papel do lugar oferecer consultas veterinárias. No caso do CZ de Foz do Iguaçu, na Internet, só pude encontrar o telefone. No site da prefeitura, são ínfimas as informações a respeito. Quero ligar para lá, pois como vou contestar as ações do Estado se não conheço suas funções? Daí a crítica que faço à postura virtual da prefeitura frente ao tema, o cidadão já começa aí a encontradr barreiras para exigir seus direitos.
Tento ligar para a prefeitura no intervalo entre 8 e 9 horas da manhã, nada consigo. A ligação só retoma o menu inicial e reforça a mensagem "aguarde". Mais barreiras encontradas pelo cidadão para concretizar sua existência como tal. Desse jeito, esperar uma resposta das autoridades requer uma disponibilidade que o cidadão comum não tem, pois a uma hora como essa estaria trabalhando. Mais tarde, a prefeitura fecha.
Minha mãe decide levar Meimei a uma PetShop, ela está tentando encontrar uma saída mais barata para a situação. O dono do local reconhece não poder agir em casos de virose e a redireciona para uma clínica veterinária de preço acessível. Finalmente, para lá vamos nós.
O diagnóstico aponta para uma provável coronavirose, que, muitas vezes, é confundida com a parvovirose, pois seus sintomas são parecidos. A médica, entretanto, afirma que a segunda é bastante letal, o que em faz que, na maioria dos casos, o cão não passe de um dia para o outro como ocorreu com Meimei.
A consulta sai por 134 reais, minha mãe se endivida um pouco, mas a vida da cadela está mais garantida, afinal, quanto vale esta? Pergunto a ela o que a fez ir ao veterinário, ela responde: "o Renato ter falado para vir até aqui". Pois é, no caso, ela não visualizou mais alternativas e "a voz da experiência", Renato, o dono da PetShop, a recomendava a saída tão esperada por mim.
O tratamento atual da cadela consiste em tomar alguns remédios... A médica injetou no cão alguns soros, o que ela chamou de "imunizador". Isto requer vacinação, o que irresponsavelmente não fora dado na cadela por nós.
Algumas conclusões importantes podem ser feitas a respeito: o otimismo do qual meus pais dispunham ("ela vai ficar bem"; "ela já está até melhor"; pasmem, meu pai disse que ela estava sorrindo; "é claro que ela não vai morrer" - mesmo que as evidências apontassem para isso) era, na verdade, uma arma para não ter que agir. Aqui se vê um exemplo concreto de quando a esperança e o otimismo podem ser usados para justificar ou para se dispor da inanição. Esperava-se que a cura viesse do céu, agindo como pessoas da Idade Média, não usando a razão para resolver problemas.
Tomara que Meimei se recupere...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

FRAGILIDADE... ANIMAL... (?)


Uma de minhas cadelas, Meimei, tem uma mudança repentina de comportamento. Geralmente hiperativa, ela passa a se comportar de forma depressiva (moleza e sono prolongados). Sem comer, sem beber, emagrece rapidamente. Ela começa a salivar... Vomitar... Passa a se acomodar em cantos, atrás de móveis... A primeira hipótese: raiva.
Como tenho duas cadelas, o temor é grande. Cristal, a outra cadela, prenha, por sinal, pode ser contaminada.
Porém, com o computador à mãos, pesquiso sobre as doenças caninas mais frequentes. Suspeito de ser Lyme, pois, na semana retrasada seu irmão, o cão Lipe, foi trazido até minha casa para brincar com ela. Sua dona conta que ele está repleto de carrapatos. Resultado: encontro carrapatos em Meimei e Cristal. Eu os havia tirado e matado, entrando arriscadamente em contato com o sangue do carrapatos. Mas, nada aconteceu. A doença Lyme é transmitida pela mordida do dito aracnídio. Foi assim que a estrela Thalia foi acometida pela enfermidade que quase a levou à morte. Ela afeta o SNC (sistema nervoso central).
Por que estaria Meimei com Lyme? A depressão que pude observar nela me levou a pensar nisso...
A hipótese de raiva é expressiva, pois pude observá-la discretamente depois de colocar água para que Meimei bebesse; ela não conseguia. Sendo Hidrofobia o nome da raiva, essa possibilidade se torna quase uma certeza, ainda mais depois de ler que o animal não necessariamente pode apresentar comportamento agressivo, já que existem basicamente dois tipos de raiva; um em que o animal se mostra de forma agressiva e outra que conduz à paralisia. Nesta segunda, uma prostração (a tal da moleza) é notável (o caso da minha adorável Meimei).
Leio sugestões num fórum e a maioria delas apontam para a necessidade de procura de um veterinário. O temor de contágio humano reforça essa necessidade. Minha mãe aponta para a impossibilidade de uma consulta frente aos preços que, geralmente, são altos: o meu contexto atual, de classe C, e de muitos vestibulares no mês que vem vai requerer muitos gastos, o que inviabiliza essa consulta. Minha mãe aparenta estar perturbada com a sugestão de consultar a cadela com um veterinário, o que se nota quando ela me pergunta: o veterinário ou os vestibulares?
Meu pai e minha mãe criam uma atmosfera de otimismo frente à doença, tentando descartar raiva - mesmo depois de verem nas buscas via NET que os acometidos por raiva não necessariamente apresentam agressividade. Eles tentam se mostrar convencidos de que se Meimei estivesse com raiva, estaria violenta.
De repente, ela tem uma diarreia profusa. Extremamente fétida, ela aponta para apenas uma doença provável; parvovirose.
Ela já perdeu muita água hoje, através dos vômitos e da diarreia recente. Sobre a doença Parvovirose, os sintomas estão todos presentes em Meimei; anorexia (ela para de comer), perda de apetite, vômitos e diarreias intensas...
Tento, com ajuda de meu pai, introduzir à força um soro. Não sei como lidar com seringas e nem tenho uma casa... Meimei é jovem e ainda não foi vacinada pelos "mutirões" de vacinação do Centro de Zoonoses que passam de casa em casa, atendendo "à demanda".
Pesquiso mais sobre a doença - não restam dúvidas de que se trata de Parvovirose... Cada informação que leio é devastadora para mim. Delas, só uma conclusão, que nem precisaria de muita pesquisa para se chegar a ela: Meimei está sofrendo - o pior de tudo. O vírus está atacando e destruindo as células da mucosa interna do intestino.
Sobre o que Meimei ainda poderá sofrer, prefiro não comentar, pois não se trata de fatos, apenas de especulações que podem causar mais sofrimento, que, de repente, seriam inúteis.
O tratamento consiste em tentar mantê-la viva até seu organismo criar anticorpos que a protejam. Minha mãe me diz que ela sobrevevirá - acredito que é um artifício dela para não se sentir afetada e não ter que agir. Meimei precisa de uma dose intravenosa de soro, para compensar a água perdida o desequilíbrio salino. Precisa de remédios cicatrizantes para as perdas que o intestino está sofrendo.
Você pode seguramente dizer que se trata de alguma vitimização. Mas, é inevitável pensar que se eu fosse de uma classe social mais abastada, B ou A, a angústia já seria parcialmente resolvida; eu estaria na clínica, onde Meimei estaria internada e teria altas chances de sobreviver. Nas condições em que está, prefiro lembrar que o futuro é imprevisível. Que, como Hume dissera, a relação causa e efeito é nada mais que um produto do hábito e não necessariamente da verdade. Prefiro acreditar que a "probabilidade" sempre apresenta uma margem de erro para prever o futuro... que no caso da Meimei, a "lógica" vai falhar...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

RELIGIÃO FAZ-SE DE HOMENS (Religion: a human vehicle)


Análises críticas acerca da história das religiões apontam para o fato de a violência ser, ao contrário do que se costuma pensar, um dos valores inscrustrados em suas pregações - principalmente no que toca a intolerância às crenças alheias, mesmo que de forma implícita. Seguindo essa linha de raciocínio, costuma-se dizer que a grande culpada pelas atrocidades cometidas pelo homem, visualizadas nas Cruzadas, por exemplo, e nos ataques terroristas da atualidade é a religião. Porém, o que se pode observar é que a religião quase nunca foi sujeito e sim objeto, um veículo de condução das vontades do homem.
As Cruzadas, episódio histórico cujo suposto objetivo era libertar Jerusalém dos turcos otomanos seldjúcidas, os quais haviam proibido as peregrinações cristãs ao lugar, ocultava a possibilidade de enriquecimento através daquele lugar, o que conduziu vários nobres em crise financeira a aderir ao movimento. Como resultado: surpresa! As relações comerciais Ocidente-Oriente se intensificaram e o renascimento urbano-comercial se deu. Mais uma vez, valores religiosos submetidos aos interesses econômicos de homens "em nome da fé".
Na edição especial da revista Veja sobre o mundo pós Bin Laden, lê-se: "Inicialmente, o Corão permitia que pessoas de outras religiões professassem sua fé em paz e proibia os muçulmanos de convertê-las à força (...) Com o passar do tempo e com a ascensão do fundamentalismo islâmico, essa ordem foi sendo reinterpretada (...)". E é neste último ponto, a reinterpretação, que reside a origem da maior parte dos problemas que se observam permeando a religião.
No contexto do Talibã, reprimir era um modo de evitar que a religião se esvaísse. A religião é feita de dogma, aquilo que não pode ser contestado. Não havendo contestação, o que acontece? Prolongava-se sua duração no poder.
O mesmo vale para a "luta contra o Imperialismo Ocidental", usando como justificativa o fato de a Guerra Santa ser um valor do Corão. A vontade humana vem como o maior fator explicativo das atrocidades observadas pelo terrorismo "em nome de Deus" na contemporaneidade; a vontade de subjugar a mulher; a vontade de enriquecer, matando; a vontade de apropriar-se do poder, justificando que esse quadro é a vontade divina - um traço de Absolutismo ainda observável na atualidade, vide os governos teocráticos hoje existentes.

Critic analysis about the religion history signs that the violence is part of it as one if its principles, it does not mind if it happens implicitly. It is remarkable when the issue is intolerance. Following this reasoning, it is common to say that the religion ist the big guilty of so many atrocities did by the man as the Crusades, for example, and the recent terrorist attacks, as 9/11. But something can be observed is that Religion has never been the subject of the history. It has been an object; a vehicle to conduct people to materialize human wills.
The Crusades, a historic episode which supposed objective was set Jerusalem free of Seljudic Turkish, a people that had prohibited Christian pilgrimages to that place, hided the possibility of getting richer through what Jerusalem could offer. That made a big number of aristocrats in finance problems had given support to the "Faith Cause". Guess what happened: the economic relations between West and East had raised expressively and the urban and commercial reborn had been generated. One more time, religious values were submitted to human economic interests in behalf of the "faith".
In a special edition of Veja magazine about the world post Bin Laden, it can be read: "on the beggining, the Koran, allowed people from other religions to normally do their rituals and prohibited muslims of forcing someone to become a muslim (...) The has passed and the Islamic Fundamentalism rising, this was reinterpretated (...)". That´s the key point that generated a big range of problems and savageries that involves religion.
In the Taliban context, to repress was a way of avoiding the religion had been affected or changed. The way it was established, it was structured in a dogmatic system, a kind of system the contestation cannot exist. When there is no contestation, what happens? The power is maintained the way it is. It was convenient to Taliban members.
The same logic can be applied to the battle againt the "West Imperialism", using as justification that it is value deffended by the Koran, the Jihad. However, the Homo sapiens desire is surely more influent in order to explain the monstruosity observed in terrorism "in behalf of God"; the wish of submitting the woman; the wish of getting power, it does not mind if killing is "necessary" to achieve it and the wish of appropriating of the power, claiming that is God wish - a sign of Absolutism observed in teocratic governments, nowadays.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A RUPTURA DO MEDO COMO ESTOPIM À LIBERDADE

A atual campanha da Gazeta do Povo e da RPC, incentivando as pessoas à denúncia, cumpre com o papel da imprensa e ao mesmo tempo pode trazer a discussão acerca dos pontos positivos e negativos do medo.
Quando dosado, é necessário, já que obriga o ser humano a encontrar alternativas de superação ou proteção. Um exemplo emblemático é o do homem da Pré-História, o qual, desprovido de armas biológicas, como garras, dentes afiados, olfato ou audição muito aguçados, se viu obrigado a se esconder em cavernas e, depois de descoberto o fogo, encontrou nele um método de proteção de perigosos predadores à espreita.
No caso citado, o medo aparece como elemento de superação. Mas, ele é negativo quando conduz o ser à inanição, o que impede o indivíduo de se superar ao desenvolver a coragem, o que o tornaria menos suscetível à dominação por entes alheios, leia-se os casos em que mulheres que sofrem violência doméstica e por medo de retaliação do marido, não o denunciam (caso retratado na televisiva "Fina Estampa"), continuando a sofrer o mal.
Felizmente, há pessoas, como as que concretizam a Primavera Árabe, rompendo esse elemento e conduzindo o país a uma revolução política e a uma liberdade maior. Na Síria, a intensa repressão não amordaçou os movimentos. Isto porque as pessoas, ao se rebelarem, se sentiram apoiadas umas pelas outras, pela imprensa mundial e pela mobilização nas redes sociais.
Cabe à sociedade, portanto, estimular essa postura, valorizando os que a têm, premiando-as como o Nobel da Paz 2011, ou como a imprensa, quando esta expõe à sociedade os casos de engajamento em meio a contextos repressivos e perigosos, exaltando sua coragem e, assim, disseminando e internalizando este valor na sociedade.

The campaign Paz sem Voz é Medo from Brazilians groups of communication RPC and the journal Gazeta do Povo, encourage people to denounce what is seen as wrong, doing the function the press has. That makes one discuss about positive and negative points the fear brings.
When the fear is balanced, it is necessary. It forces the human to find superation alternatives or protection ones. An emblematic one is the Pre-History Man, a "sapiens" without biological guns, as claws, sharped thief, smell or hearing very developped... The man instigated by the fear was obligated to hide himself/herself in caves. After the fire was discovered, it became a protection against dangerous animals.
In this case, the fear is exemplified as a superation element. But, it is negative when it leads people to inanition, something that blocks the person of developping courage and superation. It would make the human become less vulnerable of a coercive domination from other humans or any elements. It is possible to observe it in cases of domestic violence. Women, full of fear, don´t denounce their husbands. As a result of this, they continue to be attacked. This case is watched now in the main soap opera exhibited in Globo, Fina Estampa.
People as the ones that materialized the Arabian Spring broke the fear and led the country to a politic revolution and a bigger freedom. In Syria, the intense repression didn´t ended the uprisings. This happened because people felt supported one by the other, by the international press and by the mobilization via Internet.  
These elements lead to a conclusion: it is a society function to stimulate this kind of actitude, valorizing the ones who take it, rewarding them, like it was done by Nobel Prize of Peace 2011, or by the press, whent it exposes to the society the cases of engagement in difficult, repressive and dangerous contexts, focusing on their courage and then disseminating this value on the society.