quinta-feira, 6 de outubro de 2011

REDIMIÇÃO DA RESPONSABILIDADE

A Prefeitura de Foz do Iguaçu financia uma nova campanha, principalmente pela televisão, criticando atitudes irracionais de seus moradores, denominando-as de "comportamentos antissociais". Estas práticas vão de imprudências no trânsito, lixo nas ruas até o hábito de deixar água parada - um estímulo à proliferação do mosquito da Dengue.
De fato, é uma atitude válida, pois o cidadão, tido comumente como aquele que é dotado de direitos, também vê enfatizados seus deveres, os quais geralmente não são lembrados em meio a qualquer reivindicação.
A crítica que pode ser feita, entretanto, é que, apesar de se tratar de uma história fictícia, a responsabilidade dos cidadãos sobre suas atitudes é redimida deles, pois esta é atribuída ao grande Mal invisível que saiu da "arca descoberta durante a construção de Itaipu". Isso se traduz num valor que reforça implicitamente a condição de vitimização das pessoas - "foi o Mal o responsável por minha atitude" ou "eu sou rebelde porque o mundo quis assim", sendo este último um fragmento de uma antiga canção da cantora Lílian.
É compreensível essa postura da prefeitura, afinal, criticar é algo delicado e se tratando de um povo mais imaturo, é preciso demonstrar que não se é inimigo dele por fazer uma crítica - algo implicitamente entendido pelas pessoas quando o tema é a crítica. No entanto, outros meios deveriam deveriam ter sido encontrados para tal, como o de elogiar alguns comportamentos do cidadão e, em seguida, tecer a crítica. Isso foi feito em um segundo vídeo, mas a redimição de responsabilidade vigorou. Do modo como foi feito, as autoridades não cumprem com seu dever de cidadãos, o de contribuir para construir uma sociedade mais madura e não uma mais autovitimizante.


Observação: há três erros gramaticais no vídeo. Nas expressões "combate a dengue", "combate a imprudência no trânsito" e "combate a sonegação de impostos" deveriam ser escritos todos dentro de caso de crase: "COMBATE À DENGUE", "COMBATE À IMPRUDêNCIA" e "COMBATE À SONEGAÇÃO DE IMPOSTOS". Três erros quase seguidos em letras enormes. Será que passou "despercebido" pelo revisor do vídeo?

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A VIDA NA FRONTEIRA: (NO) EQUILÍBRIO DE FORÇAS


Mas, até quando esse dualismo vai continuar?

A VIDA NA FRONTEIRA: (NO) EQUILÍBRIO DE FORÇAS

... E alguém que perde.


A VIDA NA FRONTEIRA: (NO) EQUILÍBRIO DE FORÇAS...

Sempre há alguém que ganha...


A VIDA NA FRONTEIRA: AS MULHERES DA FRONTEIRA


Durante a elaboração desta fotorreportagem, peço permissão a algumas pessoas para fotografá-las durante um momento tão cotidiano e, muitas vezes, não tão prazeroso para alguns; o almoço.
Dentre os casos que recebi um "não", todos foram de mulheres, o que me levou a refletir sobre por que seriam apenas as mulheres, as mulheres da fronteira, que não permitiram se deixar fotografar.
Dentre as conclusões a que cheguei, uma delas é que num mundo que é movido pela atenção e, sendo esta voltada para aqueles que são dotados de uma beleza e de um glamour padronizados e para aqueles que tem o dinheiro, um indivíduo - uma mulher - fora dos padrões de beleza, desajeitado, "comum" e, pobre, está longe daquilo que a sociedade reconhece como digno.
Em meio a esse contexto, ser mostrada dessa forma é demonstrar estar longe daquilo que constitui o sonho da mulher cotidiana da fronteira, do interior, da periferia... Ou, pelo menos, daquilo que se tem em mente que deveria ser digno. É dar seguimento à vergonha por ser quem se é, quando, na verdade, a vergonha deveria partir mesmo é de todos os que foram responsáveis por estarem ali, naquelas condições, precárias e subhumanas.

A VIDA NA FRONTEIRA: UMA NOVA FORÇA

Uma nova força tem sido feita neste lugar desde que o Centro de Conscienciologia chegou se instalou na cidade de Foz do Iguaçu.
Com o Centro, intelectuais e profissionais das principais capitais brasileiras migraram para este lugar, trazendo consigo diferentes e produtivas experiências, que culminam em incontáveis benefícios para a cidade, como a revolução na educação do ensino médio, feita por membros desse centro de estudo. A educação local se encontrava anteriormente em rota de colisão com o fracasso.
Além destas vantagens, um número crescente de livros tem sido lançado na região, livros escritos por conscienciólogos que, de qualquer forma, acabam contribuindo para a internalização da concepção de leitura na Terra das Cataratas, principalmente.
Após fazer essa fotografia, Waldo Vieria me sugeriu que fotografasse algumas instalações do Centro, como um corredor de bustos de grandes autoridades da história do pensamento. Talvez ele não tenha ouvido, porém o respondi que a principal diferença não é feita por lugares e sim por pessoas, no caso, ele e todos os estudiosos que migraram para a terra iguaçuense.
A questão, na minha concepção, é que belos lugares podem ser captados pelas câmeras de um observador qualquer... Diferente de momentos. Momentos... Estes exigem uma percepção rápida e aguçada por parte do fotógrafo, por entender por que, para que ou, simplesmente, que estes precisam ser captados.