domingo, 15 de abril de 2012

“A RÁDIO NÃO PERDEU PARA A INTERNET, APENAS ESTÁ DEIXANDO DE GANHAR”, DECLARA DIRETORA DA RÁDIO UNESP FM


O século XXI traz uma série de novos padrões para a comunicação. Mas, não são todos que conseguem acompanhar o ritmo da evolução de suas tecnologias. Um exemplo disso são as rádios. Algumas delas ainda enfrentam problemas para se adaptar a esse quadro, não conseguindo usufruir com plenitude dos benefícios que a internet pode oferecer. É o caso da Rádio UNESP FM.
Até uns anos atrás, o rádio era considerado um veículo de comunicação de acesso mais rápido. O rádio chegava em qualquer lugar do mundo e era imediato. A televisão não tinha essa penetração. Então, o rádio era o meio de comunicação mais rápido. Com a vinda da TV, o rádio foi perdendo um pouco de espaço. Talvez não pelo alcance, pela rapidez... Mas pelo fator imagem. O rádio continua ainda continua sendo mais rápido e de abrangência maior. Com a vinda da internet, o rádio perdeu essas duas peculiaridades” é como Cleide Portes, diretora da UNESP FM, entende o panorama recente da história do rádio. Mas, para ela a perda não foi total. Não é possível acessar a internet enquanto se dirige o carro, lembra Cleide. Então, ouve-se rádio. Além do mais, “o rádio, em algumas regiões, ainda ganha da internet. Então, as comunidades mais longínquas, mais perdidas no meio da selva, ainda sabem das notícias pelo rádio “, conclui ela.

Hoje, a UNESP FM passa por dificuldades de interação com o internauta. A falta de funcionários destinados a administrar as contas da rádio em redes sociais como o Twitter e o Facebook é um dos principais problemas dentro desse assunto. Segundo Cleide, a burocracia para contratar funcionários é a principal causa desse problema: “nós da Rádio UNESP, por sermos uma rádio pública, estatal, não podemos ter essa agilidade de contratação de webdesigners, de programadores, de ter profissionais aqui dentro para agilizar nosso site (...) e aproveitar todas as ferramentas que a internet possibilita”.
Relacionar-se com o internauta poderia concretizar um dos objetivos da rádio, que é integrar-se com a comunidade – o que está exposto até no slogan da instituição, “Rádio UNESP, a rádio em sintonia com a comunidade”. Para contratar um funcionário que possa gerir a comunicação da UNESP FM com o internauta, é preciso, primeiro, convencer a reitoria a liberar verba para isso. O segundo passo é abrir concurso público. Alunos da UNESP ou do Colégio Técnico Industrial poderiam também desempenhar essa tarefa, desde que na condição de bolsistas, o que também requer liberação de verba para essa remuneração por parte da reitoria.
Cleide explica que em meio às outras prioridades, como a contratação de jornalistas, por exemplo, tentar interagir com o internauta acaba ficando em segundo plano. Contudo, isso não impede a rádio de preparar projetos visando à integração rádio-internauta. Apesar de existir em outras emissoras, um deles é implantar uma webcam no estúdio de gravação das entrevistas ao vivo, de modo a disponibilizar suas imagens pela internet. A UNESP FM quer ser uma rádio com imagens, sem deixar de ser rádio, o que já vem sendo uma tendência na radiocomunicação.
Mesmo com as dificuldades mencionadas, a Rádio UNESP disponibiliza pela internet a sua programação ao vivo 24 horas por dia, além de áudios de alguns programas. Foi através dela que ouvintes de outras unidades da UNESP puderam conhecer a rádio. É também pelos e-mails com as opiniões de ouvintes que a rádio tem uma noção do que eles estão gostando ou não. É fato que o público jovem, por exemplo, que poderia, segundo as palavras da diretora da rádio, “oxigenar a programação da rádio”, está muito ausente da UNESP FM e que, talvez com uma maior presença da rádio na internet, poderia estar integrado com a rádio. Numa enquete feita por esta reportagem no câmpus da UNESP de Bauru, de 50 jovens alunos entrevistados, 7 disseram ouvir a Rádio UNESP, com diferentes frequências ao passo que 9 declararam nem sequer saber que a rádio existia!
Cleide Portes conheceu a situação de outras rádios públicas do Brasil e afirma que ainda assim a situação da Rádio UNESP é privilegiada. É preciso lembrar que esta rádio pode ser um reflexo das outras rádios públicas no Brasil em relação aos problemas enfrentados para se integrar aos internautas e às novas gerações. Para ela, a Rádio não perdeu com o advento da internet. Pelas dificuldades enfrentadas, ela está apenas “deixando de ganhar”.